Paulo Carmona
Paulo Carmona 19 de agosto de 2019 às 18:45

As causas e a discussão das coisas

Nunca como agora o país necessita duma discussão ideológica sobre o modelo de sociedade que queremos, depois de assumido o falhanço deste modelo de empobrecimento. Os portugueses estão hoje piores do que há 20 anos e os jovens com menos perspetivas.

A FRASE...

 

"(…) Para fazer avançar determinadas causas é preciso continuar a confiar no PAN e dar mais força ao PAN."

André Silva, Observador, 14 de agosto de 2019 

 

A discussão política em Portugal tem vindo a degradar-se a cada eleição, numa menorização intelectual dos portugueses, sem mostra de soluções para os seus problemas.

 

Num país que todos os anos empobrece e é ultrapassado na criação de riqueza e nos salários e a caminho de ser um dos países mais pobres da União Europeia, o que iremos ouvir na campanha? Causas. O Bloco de Esquerda foi o pioneiro na política das causas, umas fraturantes outras nem por isso. E uma de cada vez, pois defender a Palestina e os direitos dos gays ao mesmo tempo exige desatenção e desinformação. As causas também são boas para não terem de apresentar o modelo de sociedade que pretendem, já que Tsipras, Maduro, Lula e os Castros não têm ajudado. Agora andam ao despique com o PAN, outro partido de causas e de protesto, sobre quem defende melhor o combate às ditas alterações climáticas. O típico partido de causas não revela como se propõe resolver o maior problema dos portugueses, o empobrecimento, os baixos salários e a emigração dos jovens, corrupção, altos impostos, etc., apenas que o planeta tem de ser mais limpo e que faltam sanitários mistos, ou neutros. Ah, e acabar com os ricos. Contudo nem aí apresentam soluções, apenas preocupações e proibições, sabendo que o principal risco da poluição do planeta reside na Ásia e em África, onde em pobreza não existe a cultura ou a indústria da reciclagem. É como lançar um partido contra os baixos salários. Ou outro a exigir o direito de os portugueses serem bonitos e ricos. Alguém contra?

 

Nunca como agora o país necessita duma discussão ideológica sobre o modelo de sociedade que queremos, depois de assumido o falhanço deste modelo de empobrecimento. Os portugueses estão hoje piores do que há 20 anos e os jovens com menos perspetivas.

 

Queremos um Estado com maior intervenção, mais socialista, renacionalizando empresas e setores? Ou queremos uma sociedade mais liberal, com maior responsabilização e liberdade individual? Todas as opções são válidas e devem ser discutidas, dentro da essência democrática e socialmente responsável do regime.

 

Discutir apenas causas, todas possivelmente justas, mas sem saber como e quanto custam resolver, é redutor e uma distração para quatro anos, cruciais para um país a precisar de crescimento económico e melhores salários. 

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

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