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Paulo Carmona 13 de Julho de 2020 às 19:03

As vacas que voam e outras vacas

Nenhum açoriano tem para agradecer à TAP o aumento do turismo e da riqueza associada, mas sim às low-cost. No Porto, foi igual.

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A FRASE...

 

"TAP - O maior erro político de António Costa."

Ascenso Simões, Público, 4 de julho de 2020 

 

A ANÁLISE...

 

António Costa já nos tinha apresentado as vacas voadoras, agora brindou-nos com vacas sagradas que voam. Ainda ninguém apresentou números sobre a relevância e o valor da TAP para Portugal, só dogmas. Terá o seu valor, mas quanto? Ou seja, se a TAP necessitar de mil milhões deverá ser apoiada? E se forem 5 mil milhões? Não menorizemos a questão dos números, num governo geralmente avarento e cativante, de cativações, e de saldo orçamental zero. É que 1,2 mil milhões de euros é muito dinheiro… Daria para construir 10 hospitais, por exemplo, para que tivéssemos mais unidades de saúde abertas para outras doenças que não a covid-19, ou prevenir situações de possível rutura do SNS numas 2.ª ou 3.ª vagas.

 

Fala-se sempre da relevância para o turismo. Segundo a ANAC, para o Algarve, o nosso principal destino turístico, a TAP levou… 3,5% dos passageiros. Para o Porto apenas 19%, Ponta Delgada, 16%, e Funchal 27%. Contudo, os contribuintes locais irão participar no salvamento nacional da TAP.

 

Vejam o que se passou no turismo nos Açores antes e depois das low-cost. Mais concorrência de low-cost, preços 50% mais baixos trouxeram mais turistas, mais hotéis e AL. Nenhum açoriano tem para agradecer à TAP o aumento do turismo e da riqueza associada, mas sim às low-cost. No Porto, foi igual.

 

Pela sua estrutura de custos, regalias e "legacies", a TAP não consegue concorrer na Europa. As rotas europeias são viradas para encher os voos para África e Brasil do que para trazer turistas europeus... segundo explicava recentemente Antonoaldo. A grande expansão da TAP foi nessa onda. Angariar passageiros brasileiros e americanos para a Europa através do hub de Lisboa. Não por interesse nacional, mas como única solução para a empresa. E bem. Desses, 30% ficam, mas valem os 1,2 mil milhões?

 

Este processo está mal desde o seu início. Não quiseram "hair-cut" para não magoar mais a banca, nem assumir dívida num Estado já muito fustigado. Privatizar uma empresa com tanta dívida atrai apenas capital de risco. E a "reversão" da privatização em 2016 serviu para quê? Hoje apresentaram o dogma de que a TAP não pode falir, sem nunca estudar a alternativa Swiss, um nova TAP sem "legacies". Porquê?  

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com
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