Paulo Carmona
Paulo Carmona 02 de setembro de 2019 às 20:30

Carpe diem, ou o horror à mudança 

Mais uma vez não se prevê mudança no Governo, provavelmente optando-se pela continuidade do atual. Em Portugal, raramente um primeiro-ministro recandidato não ganhou as eleições, apenas Santana, substituto de Durão, e José Sócrates.

A FRASE...

"PS sobe e conquista mais de 40% dos votos. PSD desliza."

Negócios, 30 de setembro 2019

 

A ANÁLISE...

E o sistema político em Portugal, normalmente fechado e em oligarquias, evolui apenas por revoluções. A mudança, que horror, só ocorre quando é forçada. Isto significará que António Costa, se governar benzinho, ou meramente sofrível, pode estar para durar muitos anos e ganhar eleições como primeiro-ministro.

Haverá quem diga que o PS não governa, apenas ocupa o poder, e que estamos a crescer muito abaixo dos países que têm o mesmo rendimento que nós, nem os países ricos necessitam de crescer tanto, ou que o segredo desta governação tem a ver com o turismo, a subida dos impostos e as cativações, branqueadas pelos parceiros geringonçais. Podem dizer o que quiserem, foi poucochinho, mas não foi repelente. E a morfina dada aos portugueses, através do otimismo irritante, pelos sindicatos e por alguma manipulação dos media, fez o resto. E como é um governo de esquerda até pode realizar austeridades de direita, sob o sinónimo de controlo das contas públicas, cortar no investimento público, nos serviços básicos, ou ter tiques totalitários que ninguém o contestará.

Muitos empresários ainda têm medo do poder, pelas represálias que possam vir a ter, pela mão estendida ou porque não são independentes pela exportação. Daqui não virá contestação nunca, a nenhum governo.

E o grande povo socialista ou comunista, perto de serem 60% dos votantes, não se importa que um regime que diz defender os pobres permita que só os ricos possam escolher a escola dos seus filhos ou o hospital onde deseja ser tratado, numa sociedade por isso cada vez mais desigual nas oportunidades e na saúde. Ou que o Estado continue centralista com a mesma estrutura e cultura salazaristas. Importa é acalmar fiscalmente quem tem ambição e que não haja muitos ricos depois de imposto que exponham a mediocridade de quem se acomoda, a chamada inveja.

E assim empobrecemos, alegres, adormecidos e com salários tão baixos que nem os refugiados por cá querem ficar. Melhor pouco que nada. Carpe diem.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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