Paulo Carmona
Paulo Carmona 03 de outubro de 2019 às 19:39

Combater a desigualdade social

Ou temos um modelo soviético em que não existe escolha, ou deveria existir escolha para todos. Haver para uns e não para outros não parece correto.

A FRASE...

 

"Dezenas de pessoas participaram esta quarta-feira numa tribuna pública ‘em defesa da ADSE pública e solidária’, no Rossio, em Lisboa."

Observador, 18 de setembro de 2019

 

A ANÁLISE...

 

Porque é que só quem tem possibilidade de pagar um seguro de saúde, e são já 2,5 milhões, ou tem a ADSE pública pode escolher o local onde deseja ser tratado? Ou dito de outra maneira, quem é pobre ou não tem dinheiro, não tem o direito a escolher o médico ou o hospital. Isto é uma injustiça, porque desigualdade de oportunidade baseada em condições financeiras deveria ser uma causa pela qual lutar.

 

Ou temos um modelo soviético em que não existe escolha, ou deveria existir escolha para todos. Haver para uns e não para outros não parece correto.

 

Alguns partidos propõem para estas eleições a extensão da ADSE para todos. Começou com a Iniciativa Liberal, o CDS foi atrás e a Aliança propõe um seguro social, tipo ADSE. Isto não é novo. Obama propôs isso mesmo, Bernie Sanders quer reforçar, e na Europa Central a obrigatoriedade do seguro de saúde é generalizada.

 

Do ponto de vista do Estado, também parece coerente. Se a ADSE é boa, porque não estendê-la aos restantes portugueses? Se é má, porque mantê-la? Ainda por cima a ADSE viola os princípios ideológicos de quem entende que o Estado não deve financiar os privados.

 

E como poderia funcionar, e de onde viriam os fundos? O chamado como e quem paga, tantas vezes ausente nas propostas. O Estado deixaria de financiar os hospitais via orçamento e passaria a financiar os atos médicos via ADSE, seguro social público, Obamacare, ou o nome que lhe quiserem dar. Ou seja, a D.ª Ana tem de fazer uma operação às cataratas e o seguro social pagará, por exemplo, 1.500 euros ao hospital que a senhora escolher, público ou privado. Completamente indiferente a quem pertence o hospital, dando a importância à saúde e ao combate à desigualdade.

 

Reduzir a saúde a uma dicotomia público/privado é cegueira ideológica. Para os que defendem a saúde pública como o bem supremo, imponham mais investimentos e melhor serviço nos hospitais públicos. De certeza que se forem melhores a nossa D.ª Ana, com seguro, não irá escolher um privado. Que a liberdade de escolha dos portugueses não dependa do tamanho do seu bolso. Isso é que é desigualdade!

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

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