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Paulo Carmona 04 de Setembro de 2017 às 22:01

Costa, o amigo liberal

O Governo pode ser uma geringonça política, mas é um travesti económico. Tem voz e roupagem de senhora amável de esquerda, mas por dentro mandam os cromossomas dum macho liberal.

A FRASE...

 

"A realidade acaba sempre por derrotar a ideologia"

Prof. Cavaco Silva, Universidade de Verão PSD, 29 de agosto de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Vida difícil para Passos Coelho, tudo aquilo em que se empenhou, na estabilidade financeira do país, no cumprimento do défice e numa boa relação com os credores, este Governo conseguiu melhor. O anterior governo não conseguiu cumprir as metas do défice acordadas. Este novo ciclo governativo consegue ir além da troika, obtendo défices muito abaixo do que era exigido pelos credores. Não admira os elogios a Centeno, o Ronaldo do EcoFin, enquanto Vítor Gaspar é uma espécie de Dani, muito promissor, bom toque de bola, mas ninguém sabe muito bem por onde ele anda agora.

 

O Governo pode ser uma geringonça política, mas é um travesti económico. Tem voz e roupagem de senhora amável de esquerda, mas por dentro mandam os cromossomas dum macho liberal. Com efeito, a ortodoxia liberal do atual Governo veio provar o quanto muito dos keynesianos de serviço e economistas de esquerda, estavam errados. Estamos a ter mais crescimento económico enquanto o Governo corta a fundo nas despesas do Estado e no investimento público, o valor mais baixo dos últimos 30 anos, supostamente essenciais para o crescimento económico conforme se clamava na campanha eleitoral de 2015. Só em 2016 as cativações foram 900 milhões de euros. De facto, ao pé de Centeno, Vítor Gaspar era um menino de coro. A austeridade é maior, mas antes era feroz e sádica agora ninguém a faz, aparece feita… E a esquerda sem piar. Arquive-se para uso futuro.

 

O orçamento mais contracionista de descida do défice para a maior expansão económica do século. E esta, hein?! E no meio de toda esta ortodoxia ainda teve a coragem de repor alguns rendimentos, não todos claro, com os fundos que foi buscar aos automobilistas. Na prática os trabalhadores do interior, que necessitam de transporte para se deslocar, pagam no combustível a reposição de salários de funcionários públicos, essencialmente urbanos e com transportes públicos subsidiados, a chamada desinclusão territorial. Ou seja, não repôs, transferiu… e os trabalhadores obtiveram essas minirreposições, mas faltam canetas, tinteiros e papel higiénico. Não se pode ter tudo…

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico


Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

 

maovisivel@gmail.com




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