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Paulo Carmona 17 de Junho de 2020 às 18:22

Jornalismo objetivo procura-se

Em tempos idos, a missão e a honra dum jornalista era reportar os factos objetivamente, o princípio básico do jornalismo, sem manipulação ou deturpação. Isso era de um enorme respeito.

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A FRASE...

 

"Jornalistas admitem que orientaram cidadãos para o confinamento."

Público, 17 de junho de 2020

 

A ANÁLISE...

 

Em tempos idos, a missão e a honra dum jornalista era reportar os factos objetivamente, o princípio básico do jornalismo, sem manipulação ou deturpação. Isso era de um enorme respeito. Claro que sempre houve jornalistas e órgãos de comunicação social que se afirmaram ideologicamente comprometidos. Por cá tivemos o Diário, o Diabo ou a República, mas ao menos assumiam. Hoje assistimos a um quase unanimismo tendencioso na abordagem aos mesmos temas. Como que se uma autocensura e um militantismo ativo e cego se tivesse apoderado de todos, onde o essencial contraditório é apenas uma das vítimas dum jornalismo de causas, boas claro, e com muita carga ideológica. Vejamos o tratamento dado todos os dias aos EUA ou ao Brasil, porque os jornalistas não gostam dos Presidentes. Apesar de serem os 7.º e 13.º países com mais mortos com covid-19 por milhão de habitantes, Portugal é o 16.º, são-nos apresentados quase como o inferno da humanidade, muito longe da realidade e das reais preocupações dos portugueses.

Só que lá as instituições funcionam, mesmo com Presidentes tontos, e os "checks and balances" existem. O órgão executivo não pode fazer tudo o que quer. Há audições para cargos, e Presidentes não conseguem fechar Guantánamo, controlar armas ou fazer muros porque querem. E a imprensa é independente, faz investigação e escrutínio dos órgãos de soberania, tal como fazem os deputados. Qualquer semelhança com a nossa terra é coincidência. Deixemos os outros e abramos os olhos. Um líder do partido, potencial PM, escolhe as listas dos deputados que o irão "controlar" (risos). Se controlam muito não seguem nas próximas listas… e a lógica é tribalista. Entretanto, o respeito pela AR é apenas quando conveniente. Acham que nesses países tão odiados e com a democracia em perigo, como retratava o Público, o Presidente ousaria nomear um ministro das Finanças governador do banco central, ou construir uma linha circular do metro, a maior obra pública prevista, contra os pareceres e votações do Parlamento? A democracia portuguesa necessita de um jornalismo isento, objetivo e sem causas. Ou que a causa seja um forte e agressivo escrutínio a quem exerce o poder, como no tempo de Passos Coelho, quando tínhamos comunicação social a sério…

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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