Paulo Carmona
Paulo Carmona 27 de maio de 2019 às 19:40

O Governo cumpriu

Para a Europa tanto faz. Quer é ter um bom aluno com boas notas. Se ele estudou, copiou ou teve apenas sorte, é indiferente. A nota de muito bom no controlo das contas ninguém lha tira.

A FRASE...

 

"O Governo reforçou com este 'conflito' a sua imagem de responsabilidade orçamental e os partidos da direita apenas revelaram 'falta de estratégia'" 

 

The Economist Intelligence Unit, 8 de maio de 2019

 

A ANÁLISE...

 

Custe a quem custar, mas este Governo cumpriu. E o PS, com esta política de charneira, arrisca perpetuar-se no poder. No rigor e na responsabilidade, alia-se à direita. Na distribuição e populismos, alia-se à esquerda. Com não podem recusar, tem-los todos no bolso…

 

A forma mais fácil, e aliás a única, com que o Governo de Portugal é avaliado pela Comissão e pelos seus pares é o de ter as contas certas, ou seja, eliminar o défice público. António Costa sabia que, depois de firmado o acordo com BE e PCP, o único obstáculo a um período longo de governação seria o défice descontrolado, o regresso do diabo, o opróbrio da Europa e nova intervenção externa. Convencer os seus parceiros seria fácil. O PCP é um partido bastante pragmático e no BE, mais farsolas, conhecem o destino dos seus camaradas do Syriza, os tais que iriam enfrentar e mudar a Europa e acabaram a fazer tudo o que esta manda fazer…

 

E assim o Governo consegue ter um discurso de rigor e reposição de rendimentos, enquanto aumenta impostos indiretos e aplica o torniquete e a tesoura na despesa e investimentos públicos.

 

Para a Europa tanto faz. Quer é ter um bom aluno com boas notas. Se ele estudou, copiou ou teve apenas sorte, é indiferente. A nota de muito bom no controlo das contas ninguém lha tira.

 

E as empresas também têm a ganhar com isso. O espetro de nova crise financeira foi afastado, ou adiado, e a contração anticíclica do Estado incentiva-as a buscar mercados externos, um atestado de liberdade face a qualquer poder político. Não fosse a instabilidade legislativa e fiscal, e o tempero ideológico anti-iniciativa privada presente em algumas decisões, e até poderiam dar também uma boa nota ao Governo.

 

E quanto aos meios que o Governo utilizou para conseguir esse rigor, o povo tem uma forma de reprovar uma alegada queda na qualidade dos serviços públicos, ou na falta de investimento, é o voto. Se não o faz, ou é burro e mal informado ou isso não existe ou não é considerado um assunto…

 

E já que se fala em voto, dou os meus parabéns ao Ricardo Arroja, cabeça de lista pela Iniciativa Liberal, pela sua campanha, o melhor dos candidatos. Pela juventude, irreverência e discussão séria e firme dos assuntos. Falta gente assim na política. Boa sorte.

 

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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