Paulo Carmona
Paulo Carmona 26 de junho de 2019 às 20:10

O Socialismo do Trabant

Já não disfarçam que estão mais preocupados com o meio, a prestação pública universal dos cuidados de saúde, do que com o objetivo, a saúde dos portugueses.

A FRASE...

"Os hospitais PPP são só quatro, pesam 5% no orçamento do setor, são os melhores nos cuidados prestados, são os mais baratos para o Estado, mas são a causa do estado em que está o SNS. É isso?" 

 

Paulo Ferreira, Diário de Notícias, Eco 23 de junho de 2019

 

A ANÁLISE...

 

Esta extrema-esquerda que temos, assanhada e cega ideologicamente, nunca suportará que a realidade exponha a inconsistência e a mediocridade das suas crenças. São ideologias que têm na base da anulação da individualidade o seu cunho mais forte. E quem diz individualidade, diz sucesso.

 

Num país normal se tivéssemos uns hospitais públicos com gestão privada em PPP e que fossem melhores, mais baratos para o Estado e com maior satisfação de doentes e autarcas, o que faríamos? Óbvio, tentaríamos replicar no máximo possível esse modelo. Com gestão de grupos privados, cooperativas de médicos e enfermeiros, IPSS, etc. em concorrência, na preocupação de reduzir o custo do SNS e satisfazer o maior número de doentes, com métricas de aferição transparentes e boa regulação.

 

Aqui por Portugal a nossa estrema-esquerda, com um Governo dependente do seu apoio, quer acabar já com esse modelo em vez de o replicar. Já não disfarçam que estão mais preocupados com o meio, a prestação pública universal dos cuidados de saúde, do que com o objetivo, a saúde dos portugueses.

 

Há uma certa coerência doentia. Se há modelos diferentes que funcionam, por vezes melhor, como posso impor o meu? É a lógica do socialismo do Trabant. Se alguém pudesse escolher um Fiat na Alemanha de Leste ficaria a saber o que o Trabant realmente era. Sem opções nem comparações não há modelos melhores nem piores, é o escolhido pelo burocrata que serve.

 

É contra sucessos pessoais, de empresas ou de modelos, que demonstrem a mediocridade ideológica das certezas impostas, que a extrema esquerda se bate. Porque não há um modelo melhor que outro, tal como não há certezas. Essas ficaram na Idade Média, nas ruínas de Berlim em '45 e do seu muro em '89. Ter opções e flexibilidade é hoje o mais importante.

 

E a liberdade de poder escolher o prestador de cuidados de saúde? Uma ADSE convertida em seguro social de saúde para todos, segundo modelos em vigor noutros países. Não porque o Estado não pode financiar o privado, elevado à condição de malandro. Então acabem com a ADSE. Pois, mas não pode ser porque o eleitorado urbano desses partidos não lho permitiria, nem falar nisso…. Linda coerência.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

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