Paulo Carmona
Paulo Carmona 05 de agosto de 2019 às 20:05

Pouco a dividir igual por muitos…

Para o Estado funcionar bem tem de remunerar e gerir melhor os seus quadros e talentos. Não pode ser socialista igualitário.
Conta-se que numa universidade do Texas o professor quis exemplificar aos alunos o que era o socialismo. A partir desse dia as notas atribuídas aos alunos seriam a média da classe nos testes. Acabava a depressão de quem tinha más notas e o ar de superioridade dos melhores alunos. Seria uma classe mais igual, bom ambiente, amizade e a trabalhar em conjunto para uma média melhor, sem egoísmos.

O primeiro teste correu bem e a nota média foi razoável. O problema aconteceu nos testes seguintes. Já que a nota era igual para todos, os bons alunos perderam o incentivo para se esforçarem e, pior, viram outros alunos sem estudar terem a mesma nota que eles, os briosos. Mesmo os maus alunos, ou os que não gostavam de estudar, perderam todo o incentivo de meramente olhar para os livros. A média foi descendo até atingir terrenos negativos. A lição foi bem aprendida. A igualdade, supremo valor socialista, sem bons ou maus alunos, levou-os todos a serem maus alunos. É a história dos países assumidamente socialistas, no antigo Bloco de Leste, em Cuba e mais recentemente na Venezuela, a igualdade na pobreza.

E é semelhante à forma como o Estado trata os seus. Vejamos por exemplo o Gabinete do primeiro-ministro. O chefe de gabinete tem um salário líquido potencial de 3022€ enquanto os motoristas terão um de 1427€, segundo dados do portal do Governo. Sem menorizar o trabalho de ninguém, estamos de acordo que o nível de responsabilidade, de preparação, exigência e de trabalho são demasiado diferentes para o chefe ganhar apenas o dobro do seu motorista.

Uma pessoa racional, colocada perante a escolha apresentada, preferiria talvez ir para motorista. E os exemplos continuam, como a diferença salarial entre o pessoal de apoio à escola e os professores, o técnico administrativo e o diretor de serviço, etc..

A Função Pública é um imenso socialismo, sem incentivos baseados no mérito, um leque salarial muito pequeno entre cargos de diferentes responsabilidades, agravado por um sistema fiscal compressor de rendimentos desiguais. Há pouco a dividir por muitos, e são cada vez mais para cumprir as 35 horas. Os salários dos dirigentes e técnicos superiores são baixos, e o incentivo para ser bom não pode ser apenas o brio. Para o Estado funcionar bem tem de remunerar e gerir melhor os seus quadros e talentos. Não pode ser socialista igualitário.
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