Paulo Carmona
Paulo Carmona 17 de julho de 2019 às 20:20

Tintim no País dos Sovietes I

Já existe um IRC progressivo para as maiores empresas, um Instituto que Apoia as PME, inspeções e responsabilidades acima dos 50 trabalhadores. Vou crescer a empresa para quê? Deixar de ser PME, ter massa crítica, ser mais competitivo? Só chatices…

A FRASE...

 

"Salário médio em Portugal dá para comprar 645 litros de gasolina, em Espanha permite adquirir 1126 litros e em França são 1496 litros."

Dinheiro Vivo, 17 de julho de 2019

 

A ANÁLISE...

No princípio era a inveja.

 

Está muito vincado no pensamento único dominante que 1) as pessoas são iguais, e se não são deviam ser, 2) O Governo/Estado, sabe melhor que os cidadãos o que estes realmente querem ou necessitam.

 

O primeiro dogma tem a ver com o nivelamento social que tudo à nossa volta impõe. Se não conseguimos que os pobres sejam ricos, então que os ricos sejam pobres, ou remediados. Onde não exista comparação está tudo muito melhor. O meu vizinho ter sucesso é a medida do meu insucesso, não tendo menos mãos nem sendo mais burro. Só por sorte, ou talvez por ter roubado, ou explorado trabalhadores…. Acabe-se com o sucesso do vizinho, ou taxe-se. Ou se um hospital em PPP é melhor que um público, acabe-se com a PPP. A narrativa não pode ser destruída pela realidade. Por exemplo, se a URSS estivesse estado sozinha no mundo ainda hoje existiria, com a sua opressão e miséria, porque nenhum outro sistema económico, nem Reagan com a sua "Star Wars", teria demonstrado as suas fraquezas.

Por cá essa vontade de nivelamento e apelo à mediocridade manifesta-se, e muito, na tributação. Um gráfico que circulava esta semana nas redes sociais, feito pelo Partido da Iniciativa Liberal, é atroz. Se temos ambição, vontade de trabalhar e ter um futuro melhor para os nossos filhos temos de estar preparados para, sempre que dupliquemos o salário tripliquemos os impostos pagos. Num salário bruto de 3500 euros por mês estamos a pagar 45% de taxa marginal, contra taxas de 15 a 25% nos países de Leste, anteriormente mais pobres que nós e que hoje envergonham o nosso crescimento de 1,7%. E se queremos comprar um carro é melhor que ele seja pequeno e fraco, um pouco melhor e começamos a pagar mais 30% de imposto que em Espanha. Nos combustíveis são mais 20% de imposto e no IVA 10% a mais. Na prática o melhor é ganhar pouco, gastar pouco e ter pouca ambição de utilizar o seu talento, ou de tentar ser melhor que os outros.

E nas empresas é o mesmo. Já existe um IRC progressivo para as maiores empresas, um Instituto que Apoia as PME, inspeções e responsabilidades acima dos 50 trabalhadores. Vou crescer a empresa para quê? Deixar de ser PME, ter massa crítica, ser mais competitivo? Só chatices…

 

Assim se premeia o pequenino, quem não cresce ou não tem ambição. "Carlos, assim não vamos lá…"

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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