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Paulo Carmona 06 de Julho de 2020 às 19:50

Um Chernobyl informativo

Os tempos difíceis que aí vêm não prometem nada de bom para esta democracia abafada. O controlo de danos terá prioridade sobre a verdade e as narrativas irão confundir. Pobre democracia…

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A FRASE...

 

"Monitorize o discurso de ódio, depois o discurso que pode ser de ódio, depois o discurso que pode ser só discurso."

 

Helena Matos, 5 de julho de 2020 

 

Quem viu a série sobre Chernobyl reparou que a maior preocupação dos soviéticos não era a dimensão do desastre, mas que ele não passasse para a opinião pública. E defenderam esse blackout noticioso, à custa de vidas retiradas tardiamente, até os ocidentais receberem índices de radioatividade superiores ao normal. É bastante comum em sociedades socialistas, como Orwell bem denunciou em 1984. Quem controla a informação, e a historiografia oficial, controla o pensamento da sociedade, para a manutenção do poder e a fabricação de um homem "melhor".

 

Em Portugal esse perigo de manipulação da informação está a atingir níveis dramáticos. Primeiro, temos um povo pouco instruído, apenas 40% têm o secundário completo, e os programas que saem da 5 de outubro não privilegiam o espírito crítico, a discussão, a oratória e a troca de pontos de vista com argumentação. Apenas absorvem a matéria que é decidido colocar no programa, muito diferente do ensino inglês ou alemão. Depois temos uma comunicação social militante de causas. Com forte inclinação esquerdista e bloquista, acreditam que a sua missão não é apenas dar notícias, mas condicionar, opinar tendenciosamente para salvar o mundo, contra Trump e Bolsonaro ou a culpa é do Passos.

 

Em terceiro, o Governo atribui 15 milhões à CS, discricionariamente sem divulgar critérios e em arrepio das regras da concorrência, estimulando o autocontrolo nas notícias desfavoráveis ao benfeitor. Em quarto temos um spin fortíssimo do Governo, manipulando informação, organizando o encadeamento e a libertação estratégica de notícias, beneficiando de uma CS com clubite aguda de esquerda. Ora cala os bombeiros de Pedrógão, ora apresenta versões oficiais dinâmicas para todos os gostos, na pandemia. Inventa, promete no ar, diz tudo e o seu contrário e nunca é escrutinado. E nisto tem a ajuda do PR, o dos afetos e da reeleição, e agora de Rui Rio o autocrata, que prefere negociar orçamentos nos bastidores do que os discutir na AR, eliminando o debate quinzenal, o escrutínio, e a razão de ser oposição. Os tempos difíceis que aí vêm não prometem nada de bom para esta democracia abafada. O controlo de danos terá prioridade sobre a verdade e as narrativas irão confundir. Pobre democracia…

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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