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Miguel Pina e Cunha 12 de Julho de 2015 às 20:27

Regras simples e outras leituras para as férias

Cumprindo a tradição, este texto apresenta um conjunto de sugestões de leitura que entusiasmaram o colunista e que este defende com igual entusiasmo. Os leitores interessados pelos temas poderão, eles mesmos, sentir gosto equivalente.

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Um dos livros mais esperados do ano para este vosso escrevedor foi "Simple Rules", de Donald Sull e Kathleen Eisenhardt (Houghton-Mifflin). Kathleen Eisenhardt é desde há muito uma autora de referência e este novo trabalho não desilude. Pessoalmente continuo a preferir o anterior "Competing on the Edge", mas "Simple Rules" resume anos de trabalho em torno de um conceito revolucionário. As boas organizações não são necessariamente as que se sobreorganizam (e se tornam rígidas, burocráticas e asfixiantes), nem as que se suborganizam (e que arriscam a confusão e a ineficiência), mas as que conseguem uma combinação de organização e flexibilidade por via da adoção de regras simples. O livro chega-se a espaços à panaceia, mas descontado o exagero a leitura é boa.

 

Acabado de lançar em Portugal, "Mindset" (edição Vogais), de Carole Dweck, arrisca-se a passar despercebido. Seria uma pena porque o livro é excelente. Dweck estuda a maneira como o modo de pensar a nossa relação com o talento influencia o que fazemos com ele e como o potenciamos. Aqueles que acreditam que o talento é fixo (cada um tem aquele com que nasce) vão menos longe do que os outros que consideram que o talento pode crescer. Num certo sentido, Dweck vem ilustrar cientificamente a bíblica parábola dos talentos. Um livro interessante para pais e educadores, gestores e desportistas, enfim, para todos.

 

Em domínios mais afastados da gestão, ou talvez não, a meia dúzia de páginas de "Como comecei a escrever", um dos discursos de "Eu Não Venho Fazer um Discurso" (Dom Quixote), de Gabriel García Márquez, é um minitratado de psicologia social. O escritor colombiano explica de forma simples e poderosa o modo como construímos, na relação uns com os outros, o mundo social que depois se nos impõe como "a realidade". A noção de profecia que se autorrealiza é aqui magistralmente explicada. O texto ajuda a compreender as irracionalidades da vida social, incluindo as dos mercados.

 

Finalmente, outra tradução que merece não passar escondida: a de "Sapiens", de Yuval Hariri (Vogais). Pelo fôlego, o livro faz pensar em Jared Diamond. Explica, de forma por vezes surpreendente, o modo como o "sapiens" dominou o mundo; no processo ajuda-nos a compreender um pouco mais dessas criaturas em parte incompreensíveis que somos nós próprios.

 

Para a "rentrée" está programado "Leadership B.S." do grande Jeffrey Pfeffer. O título promete e conhecendo o autor é possível antecipar umas boas horas de reflexão. Mas antes disso ainda há tempo para outras leituras e para umas boas férias. Para todos.

 

Professor na Nova School of Business and Economics

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

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