Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião

A retoma de quê?

Portugal representa a falência de um sistema em que se baseou a sociedade europeia desde o final da II Guerra Mundial

  • Assine já 1€/1 mês
  • 4
  • ...

 

Não há memória de nenhuma economia ter crescido com políticas de austeridade, que apenas devem servir para regular o excessivo crescimento, altura em que nunca foram aplicadas. Aliás, as políticas sucessivas de cortes de salários e de pensões têm alimentado o ciclo da pobreza em Portugal. Menos rendimento implica menos produtividade, menos investimento e menos consumo. Nunca serão as exportações suficientes para sustentar um crescimento do PIB sem uma dinâmica de procura interna que suporte o emprego e a produção, que, aliás, é até a força motora da economia alemã ou da economia chinesa.

Quando em Portugal se fala na retoma por haver modestos registos de crescimentos consecutivos do PIB, esquecemo-nos que nos últimos anos o PIB decresceu quase 7%, o que significa que mesmo com um crescimento médio de 1% ao ano, serão necessários sete anos para atingir os níveis de geração de riqueza real de 2007.

Vivemos hoje num país mais pobre, mais deprimido e com muitas decisões estratégicas pertinentes para tomar, como a reforma do Estado e a da segurança social. Estas reformas tardam em chegar, enquanto as autoridades monetárias e orçamentais portuguesas e europeias vão gerindo o sistema, sem o reformar, transformando alguns países em "laboratórios de ensaios" de políticas inadequadas que procuram corrigir os erros de uma classe política medíocre, à conta dos sacrifícios dos cidadãos e das empresas que geram valor acrescentado e emprego.

Portugal representa a falência de um sistema em que se baseou a sociedade europeia desde o final da II Guerra Mundial, em que as condições estruturais eram completamente diferentes das do século XXI. As instituições e ideologias nunca se adaptaram às novas condições demográficas, sociais e ao ritmo de mudança dos mercados. Não podemos continuar a adiar decisões estratégicas para futuras gerações porque a sustentabilidade do próprio sistema não o permitirá. Devemos refundar o "Estado social" com o mínimo de intervenção pública directa e com o máximo de regulação. Mais do que um problema ideológico é um imperativo da realidade.

 



Director do ISG – Business& Economics School
Assina esta coluna quinzenalmente à segunda-feira

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias