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Ensino Superior e emigração versus mobilidade

Actualmente, o mercado é o Mundo e essa lógica começa nos bancos da escola. A mobilidade é incentivada e as habilitações reconhecidas internacionalmente, em especial sem grandes burocracias, no espaço europeu. É preciso integrar esta nova realidade que não pode nunca ser comparada à emigração dos anos sessenta.

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Nos últimos anos, o ensino superior mudou. Durante os anos 80 e 90 a oferta formativa era insuficiente para a procura dos estudantes.

 

Certo é que durante os últimos dez anos, o cenário mudou, fruto de uma incorrecta ou até irreflectida definição da rede pública de ensino superior, nomeadamente sem articulação com o subsistema privado e até com os indicadores sociais como as previsões da natalidade ou até das necessidades efectivas do país e do mercado, que deveria ser a principal preocupação das instituições públicas.

 

Actualmente são as universidades e politécnicos que precisam de alunos e não os alunos que precisam das universidades e politécnicos. O ensino superior público não preencheu as vagas oferecidas em 2013/2014 e o ensino superior privado perdeu cerca de vinte mil alunos nos últimos três anos.

 

A grande vantagem é que apenas os melhores (de acordo com inúmeros parâmetros) irão subsistir à escassez de alunos. Apesar de existir, em termos de mercado, uma concorrência absolutamente desleal entre o ensino privado e público, bem como uma agência de acreditação que utiliza critérios nem sempre com a objectividade comparativa necessária, deixam um claro desejo da criação de uma agência de regulação deste mercado, em que intervenham todos os seus actores, visto tratar-se de um serviço público essencial, mas prestado também, legitimamente e com qualidade, por privados.

 

Muito mudou no ensino superior na última década que a sociedade ainda não absorveu. Um dos critérios importantes para a avaliação de uma instituição de ensino superior é o seu grau de internacionalização, apesar da sua abrangência conceptual. A internacionalização pode ser medida pelo número de alunos ERASMUS in e out, pela mobilidade dos professores, pelos protocolos de colaboração e pelo número de alunos internacionais, cuja legislação foi recentemente publicada. Sobre esta temática espanta-me ouvir comentários retrógrados na comunicação social sobre a "emigração" e o grande drama a ela associado. É preciso estar consciente de que o mundo mudou muito e a mobilidade é uma constante da vida actual e raros são os executivos ou técnicos que não passam mais tempo em aviões do que no escritório. Actualmente, o mercado é o Mundo e essa lógica começa nos bancos da escola. A mobilidade é incentivada e as habilitações reconhecidas internacionalmente, em especial sem grandes burocracias, no espaço europeu. É preciso integrar esta nova realidade que não pode nunca ser comparada à emigração dos anos sessenta. O Mundo é cada vez mais pequeno e reduzido à unidade.

 

Director do ISG - Business & Economics School 

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