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Nuno Carvalho Envie questões para jng@negocios.pt 02 de Dezembro de 2010 às 14:15

A internacionalização das PME não merece apoio do Governo

Deveria ser criado um "site" do Governo, onde as PME poderiam expor a sua vontade de ir além-fronteiras, para que o governo saiba quem é que realmente está disposto a investir lá fora.

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O que é que se passa com a internacionalização das PME?

Só leio notícias, e conheço casos de pequenas empresas que têm sucesso em Portugal, e que querem expandir a outros países para crescer, mas que afinal o Governo, com os seus inúmeros programas de incentivos à internacionalização, e viagens com comitivas ao estrangeiro, não está a apoiar as pequenas empresas.

Como primeiro exemplo, sucede a notícia deste fim-de-semana, sobre a Clinica Malo, o maior grupo dentário português, e de referência a nível mundial, que apresentou o maior investimento português em Macau durante a reunião ministerial do Fórum Macau, e que Sócrates ignorou. Diz o empresário Paulo Malo que a culpa provavelmente não é sua, mas daqueles que o rodeiam que não lhe souberam informar convenientemente.

Algo não está bem, quando uma empresa portuguesa investe 45 milhões de dólares, e apresenta-se como o maior investidor no território, no decorrer de um fórum, e o primeiro-ministro não sabe do que se trata, nem passa a cumprimentar o empresário, depois de este ter sido convidado a visitar a sua clínica em Portugal. Eu já tinha escrito um artigo sobre a Clinica Malo, porque é um caso que me intriga e não entendo, e pelo que parece continua a seguir o mesmo caminho. Mas afinal o que se passa com este caso de sucesso que não tem sucesso dentro do nosso governo?

Igual que Paulo Malo, também vou acreditar que tenha sido um lapso daqueles que rodeiam o primeiro-ministro, mas atenção que são muitos lapsos destes que nos levam à perda de oportunidades e ao gasto inútil de tanta gente a trabalhar no governo que não serve de nada. Andam a querer cortar nas despesas, pois cortem nestes que deviam ter informado o primeiro-ministro, deste pequeno detalhe, e que não o fizeram.

Eu próprio já tive uma situação parecida com o gabinete do primeiro-ministro quando quis que uma mensagem da comissão europeia chegasse a Jose Sócrates. Simplesmente não chegou, porque os seus assessores, o único que souberam fazer, foi reencaminhar o email aos ministérios, e nem sequer se dignaram a atender-me o telefone (segundo a secretária o Sr. Dr. não atende telefonemas do publico).

O primeiro-ministro tem inúmeros assessores, e segundo sei, muitos nem falam frequentemente com ele. Se é assim para que servem? É preferível ter poucos que valham a pena e que mereçam a atenção do seu primeiro, que andar rodeado de muitos que nada acrescentam, e que ajudam a escavar o buraco financeiro do nosso país.

Outro caso é quando ouço falar das viagens que se organizam ao estrangeiro, entre o primeiro-ministro ou o presidente da república, e as grandes empresas Portuguesas, para dinamizar as exportações.

Não estou contra esta acção, até porque é necessária, mas penso sinceramente que as grandes empresas têm grandes contactos que facilitam a sua exportação, não necessitando tanto desta ajuda, através dos altos representantes do governo, como necessitam as PME.

Existem PME de excelência no nosso país, que não são ajudadas pelo governo a internacionalizar. Acabam por ser chamados a bordo do nosso "Air Force One", sempre os mesmos, e sempre com os mesmos produtos, que torna inclusive o nosso pais, um país nono produto, não mostrando nada de novo.

Exemplo disso é o computador Magalhães, que é um produto que já começa a caracterizar Portugal em alguns países. Qualquer dia ficamos conhecidos pelo país que exporta os Magalhães. Isso não é mau, mas não deve ser a única coisa, porque não mostra muita da nossa capacidade produtora.

Em resumo, e deixando os meus conselhos para que as criticas se tornem construtivas. Temos de nos organizar quanto às PME que querem exportar. Deveria ser criado um site do governo, onde as PME poderiam expor a sua vontade de ir além-fronteiras, para que o governo saiba quem é que realmente está disposto a investir lá fora, e que valor poderá trazer ao país, e assim organizar viagens com os altos representantes do país, para promover essas mesmas empresas, e cruzar essa informação com as ferramentas já existentes de financiamento à internacionalização.

A internacionalização é das matérias mais importantes para Portugal nos tempos que correm, porque esta será a única forma de sairmos da crise, por isso tem de ser levada a sério pelo governo.

Afinal de contas não podemos esquecer que o nosso país depende em mais de 80% das PME, por isso são essas que o governo tem de se concentrar em promover, e de preferência nos mercados emergentes.

Pensemos nisto a sério porque o país está a precisar, e não andemos a inventar incentivos que depois só chegam às grandes empresas e não às PME, como também já foi publicado. Temos de nos concentrar nas PME e dar-lhes todo o apoio na sua internacionalização se queremos ver Portugal a sair da crise.




Dicas



1. A internacionalização das PME tem de ser levada mais a sério para que o país consiga dinamizar a sua economia.
2. Temos bons produtores que não estão a ser expostos aos mercados externos e que o Governo deveria ajudar na sua divulgação no seu próprio benefício.



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*Fundador e líder executivo da Zonadvanced - Grupo First
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