Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião

O mais difícil é acertar no produto

Construir uma "start-up" não é, por si, fácil, mas ainda mais difícil é acertar no produto que os consumidores valorizam, o que permite crescer a um baixo, médio ou elevado ritmo. Existem muitos produtos no mercado que não servem a maioria dos consumidores...

  • Partilhar artigo
  • 1
  • ...
Quem decide lançar uma empresa, acredita que há clientes para o produto ou serviço que pretende vender. Valerá a pena gastar dinheiro em estudos de mercado?

Construir uma "start-up" não é, por si, fácil, mas ainda mais difícil é acertar no produto que os consumidores valorizam, o que permite crescer a um baixo, médio ou elevado ritmo.

Existem muitos produtos no mercado que não servem a maioria dos consumidores, podendo estes ser considerados produtos de mercado de nicho que, em muitos casos, também são interessantes pela pouca concorrência que apresentam no mercado e elevada rendibilidade que podem trazer à empresa. Mas sem dúvida que são os produtos que vendem em massa aqueles que conseguem fazer uma empresa crescer a um ritmo elevado.

Uma "start-up" pode estar anos sem apresentar um volume de vendas considerável e a tentar descobrir o melhor produto para vingar no mercado. O melhor produto acaba por surgir com a simples permanência da empresa no mercado, depois de falar com vários clientes e um dia descobrir que um deles solicitou um produto parecido com aquele que sempre idealizámos como produto-estrela da nossa empresa, mas que na sua essência não é aquilo que o mercado procura.

É numa acção deste tipo que um dos nossos clientes nos ajuda a completar a fórmula e a encontrar o produto que o mercado mais aprecia, dando-nos a real oportunidade de crescermos descontroladamente.

Quando pensámos em criar uma empresa, foi porque nos surgiu uma ideia de um produto ou serviço que achamos interessante para o mercado, mas será que a maioria dos consumidores o acha interessante?

Especialmente as "start-ups" carecem de capital para comprar estudos de mercado e analisarem convenientemente a aceitação dos seus produtos, pelo que têm de aprender à custa do tempo. E tempo é muito dinheiro. A questão que coloco é: vale a pena gastar esse dinheiro no princípio, na compra de estudos de mercado, e não consumi-lo durante a existência da empresa? A resposta a esta pergunta é por vezes difícil.

É óbvio que as nossas decisões e os nossos produtos estarão mais bem sustentados com um estudo de mercado que as suporte. Contudo, estes estudos de mercado têm informações que nem sempre são assertivas. O mais importante de um estudo de mercado acaba por ser a análise do tamanho do mercado onde nos queremos inserir, sendo as tendências questionáveis, já que isso não deixa de ser uma percepção do consultor que, infelizmente, nunca poderá ser uma garantia. A verdadeira tendência é ditada pelo consumidor e o consumidor muda muitas vezes o rumo dessas tendências, motivado pelos novos produtos que vão aparecendo no mercado, o "marketing" e as modas.

Um exemplo disso é a revolução, não prevista, do iPhone. Até o iPhone aparecer, tudo indicava que os telemóveis não iam ser terminais de consumo de Internet. Depois do iPhone, a tendência mudou fortemente. Os "smartphones", como o iPhone, estão a revolucionar o uso móvel da Internet e a criar um novo modelo de negócio, que são as aplicações para estes terminais. Quem poderia prever esta evolução ou este novo rumo?

São variáveis como estas que desviam todas as expectativas, e podem desorientar-nos. Ou seja, estudos de mercado, sim, mas com peso e medida porque, como tudo na vida, não são ciência exacta. Mas a questão permanece: devemos ou não investir em estudos de mercado antes de lançarmos uma "start-up", ou aprender com o tempo e criar o nosso próprio estudo, com a experiência do dia-a-dia?

Acho que o melhor é uma combinação dos dois, ou seja, obter estudos de mercado de forma a orientar-nos, através de pesquisas realizadas na Internet, que por vezes até são gratuitas, ou mesmo disponibilizadas a um preço acessível. Determinar a dimensão do mercado e posicionar o nosso produto e depois agarrar-nos à experiência no terreno que nos ensinará tudo o resto, indicando-nos o rumo certo.

Não fazer nenhuma pesquisa prévia, sobre o que queremos lançar no mercado, acreditando de olhos fechados que o nosso produto é mesmo necessário no mercado, é com certeza um erro fatal, que eu próprio já vivi no passado, e que de certa maneira ainda vivo, muitas vezes provocado pelo nosso dia-a-dia que não nos deixa parar para pensar, analisar e pesquisar sobre o que andamos a fazer. E isso tem um custo mais alto do que pensamos. Invista nesta análise porque compensa.

Esta tem sido a minha experiência. Contudo, pode não ter sido a sua. Fica aqui mais um tema para debatermos.

Dicas



1. Estudos de mercado são necessários, mas não são os donos da razão.
2. Uma análise prévia ao lançamento de um produto é fundamental, mas só no terreno se consegue afinar o rumo certo.
3. O consumidor é quem dita o produto certo, não nós.

Envie para o "e-mail" jng@negocios.pt as suas questões, dúvidas ou experiências sobre "O mais difícil é acertar no produto"

*Fundador e líder executivo da Zonadvanced,
autor de "Ganhei!"

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias