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O que podiam fazer as capitais de risco para ajudarem as "startups"

As capitais de risco poderiam ir um pouco mais longe, em especial as públicas que agora se estão a reestruturar e a fundir para optimizar as suas operações.

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Quando falamos de "startups", falamos de empresas na sua fase inicial de actividade que pretendem vingar no mercado com os seus produtos e/ou serviços. Quando falamos de capitais de risco falamos de instituições financeiras que pretendem investir em empresas, em diferentes estágios de maturidade, procurando alcançar um retorno elevado sobre o investimento, pois o risco do investimento é igualmente elevado.

Contudo as capitais de risco poderiam ir um pouco mais longo, em especial as publicas que agora se estão a reestruturar e a fundir para optimizar as suas operações.

Quando um empreendedor se encontra no início da sua actividade, obviamente que o capital é um dos factores mais críticos. Assim sendo, a gestão dos custos é fundamental, podendo chegar precisamente por esta via, outras ajudas que não unicamente o capital. Para aquelas empresas que estão actualmente participadas por capitais de risco, seria benéfico criarem-se parcerias com diferentes instituições, como por exemplo, agências de "marketing" e comunicação, contabilidade, consultoras, comunicações, legal, etc de forma a criar-se um ecossistema onde tanto as capitais de risco como as suas participadas pudessem usufruir de preços competitivos na subcontratação de serviços por parte das "startups".

Se uma empresa quisesse por exemplo contratar a construção e manutenção de um "site", ou mesmo ter um pacote económico de comunicações fixo, móvel e Internet, poderia recorrer a uma loja de serviços onde estariam diferentes empresas prestadoras de serviços que tinham acordos previamente estabelecidos com as capitais de risco, permitindo não só reduzir o tempo de procura de uma empresa prestadora de serviços, como a selecção da que oferece melhor relação qualidade/preço.

A negociação feita directamente por cada participada é certamente mais débil que feita por uma capital de risco que tenha mais de 100 participadas no seu portfólio, pois seria o mesmo que dizer a uma empresa prestadora de serviços, que o potencial de venda é 100 vezes superior em vez de ser apenas para uma empresa. A capital de risco actuaria um pouco como um supermercado de serviços que estaria ao dispor das suas participadas por forma a que estas pudessem reduzir tempo e custos na procura dos melhores serviços.

Ainda assim, este poderia ser um negócio para as próprias capitais de risco, através de uma pequena comissão na gestão das parcerias, que ainda assim mantivesse o preço competitivo. Isto é o mesmo que ter um grupo a negociar para as suas empresas participadas. Como grupo terá sempre mais força que uma empresa isolada.

Caso esta não seja uma actividade que a capital de risco queira assumir, alternativamente poderá contratar uma empresa para lhe fazer este trabalho pois sairá certamente mais barato para ela própria, saber que as suas participadas andam a comprar melhor e mais barato, aumentando por esta via a rentabilidade do negócio, ou seja aquilo que procuram quando investem nas empresas.

Este tipo de parcerias também reduz os investimentos necessários por ambas partes, capitais de risco e participadas, de forma a manterem a sua actividade e serviços, que são críticos ou até necessários ou obrigatórios, optimizados tanto no preço como na qualidade.

Outra das ajudas, seria promover o convívio entre participadas, uma vez que se podem gerar negócios onde umas empresas podem servir outras. Normalmente uma capital de risco não investe em empresas que são concorrentes entre si, ou pelo menos tenta minimizar esse tipo de investimentos, pelo que um convívio entre participadas não provocaria nenhum conflito, mas sim uma sinergia que poderia aumentar as vendas dentro do ecossistema. Não só se obteria esse benefício como se poderia cruzar informação sobre outros clientes potenciais, parceiros, ou mesmo experiências internacionais.

Um suporte à internacionalização seria igualmente importante, para trazer escala às participadas. Hoje mais do que nunca as capitais de risco optam por negócios globais e não por aqueles que estejam limitados apenas ao nosso território, pelo que uma parceria com uma consultora nesta área seria igualmente benéfico.

Algumas destas acções estão a ser praticadas de uma forma ainda tímida, mas porque não encara-las de forma estruturada e competitiva, que provoquem realmente resultados interessantes para todos os envolvidos.






Tome nota

1. A criação de uma loja de serviços para as "startups" ajudaria a profissionalizar a actividade destes projectos e a aumentar a sua rendibilidade.

2. Estas e outras iniciativas apenas apresentaram resultados positivos caso estejam devidamente estruturadas, não só no seu início, como no decorrer dos anos, assegurando a manutenção das parcerias.





Envie para o "e-mail" jng@negocios.pt todas as suas questões, dúvidas ou experiências sobre "O que podiam fazer as capitais de risco para ajudarem as startups


*Fundador e líder executivo da Zonadvanced - Grupo First

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