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Persistência, um pau de dois bicos

A persistência é uma palavra bem conceituada no mundo do trabalho, e mais ainda no empreendedorismo. A persistência pode levar um empreendedor a conquistar os seus sonhos, desde a ideia à captação de capital, para transformar essa ideia num...

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Uma estratégia comercial ou tecnológica mal definida, pode levar a que a persistência acabe por conduzir a um mau desfecho. A persistência pode mesmo arruinar um negócio muito rapidamente

A persistência é uma palavra bem conceituada no mundo do trabalho, e mais ainda no empreendedorismo. A persistência pode levar um empreendedor a conquistar os seus sonhos, desde a ideia à captação de capital, para transformar essa ideia num negócio. Mas será que a persistência é sempre positiva? Penso que não.

A diferença entre uma persistência positiva e uma persistência negativa, é que a primeira está a ser aplicada no bom caminho, aquele que nos leva ao sucesso, e a segunda, no caminho oposto, ou seja aquele que nos leva ao insucesso, ao fracasso ou à falência.

O que fazer

1. Persistência não significa sucesso. Defina e adapte bem as acções antes de ser persistente.


2. A persistência está mais bem vista que a mudança, mas nem sempre é o melhor caminho.
Antes de ser persistente, tem de avaliar as acções onde a persistência deve ou não estar presente, para que o resultado seja positivo.

Se assim é, teremos de ter várias competências que nos possam levar a tomar uma decisão persistente quanto ao caminho a seguir.

Uma estratégia comercial ou tecnológica mal definida, pode levar a que a persistência acabe por conduzir a empresa a um mau desfecho.

Como empresa na área das tecnologias de informação, vim aprendendo que esta área deve ser a ultima onde a persistência por uma determinada estratégia comercial ou tecnológica não deve existir.

As tecnologias mudam constantemente, as necessidades dos nossos clientes também, e o mercado impõe um ritmo de inovação constante.

O facto de sermos persistentes no nosso sector pode arruinar o nosso negócio rapidamente. Recentemente ouvia numa conferência que existem muitos softwares que se desenvolvem, mas que depois, muitos deles, não servem para nada. Agarrando neste exemplo, pergunto: vale a pena gastar persistentemente horas e capital a desenvolver softwares que não servem as necessidades do mercado? Claro que não. Mas mudar de estratégia e começar a desenvolver outro tipo de software, ou outro tipo de serviço é boa ideia?

Tudo o que implique mudar o rumo do negócio, ou seja, deixar de ser persistente num determinado negócio, é muitas vezes visto como desorientação do promotor, o que na realidade pode ser verdade, mas também pode ser mentira, e ser inclusive a mudança que marca a diferença.

Tenho visto muitos negócios de start-ups, que começaram com um produto ou serviço, e que acabaram por mudar o produto ou serviço inicial de forma parcial ou total, por este não ter sucesso no mercado, ou não gerar receita suficiente para garantir a sustentabilidade do negócio. Diria, inclusive, que ainda não falei com um único empreendedor que me tenha dito que o negócio que idealizou, é 100% aquele no qual se tenha persistentemente empenhado durante todos os anos que seguiram a sua criação.

O meu negócio também não é excepção. Inicialmente comecei por desenvolver serviços de vídeo chamada para telemóveis, e hoje o negócio centra-se em serviços de vídeo comunicação em multi-terminal (web, corporate tv, outdoors digitais, etc) e com multi-aplicações (web-mobile).

A minha estratégia tem por base a vídeo comunicação, e não o telemóvel, por isso é importante entender que a mudança centrou-se no terminal final e não na base do negócio que é a vídeo comunicação. Por outro lado, inicialmente, começamos por explorar apenas os serviços na área das vídeo comunicações, e hoje estamos a entrar na venda de soluções com aquilo que aprendemos nos serviços, ou seja, um passo mais que inicialmente não estava previsto, mas que foi identificado no decorrer do negócio como uma boa oportunidade.

Se tivesse persistentemente continuado no negócio da vídeo chamada em terminais móveis, provavelmente não teria sido capaz de abrir mais portas a futuros crescimentos, e teria limitado em muito o mercado de actuação. Aquilo que começou por ser um negócio fechado a Portugal, é hoje um negócio aberto ao mundo, graças à não persistência do negócio que foi idealizado desde um princípio, e que hoje cada vez mais, se apresenta muito diferente do que foi planeado. Não sou excepção à regra, e assim tem acontecido com outros empreendedores, por isso pense bem se quando está persistentemente a querer atingir um objectivo, e não consegue ou limita o seu crescimento, senão vale a pena parar para pensar, e quem sabe deixar de ser persistente.

Esta mudança de atitude, implica mover muitas peças do puzzle, pelo que tem de ter cuidado, caso contrário o puzzle pode nunca mais voltar a encaixar. As peças podem ser a estratégia de produto, a tecnologia, o modelo de negócio, mercado, etc. O mais provável é ter de reencaixar todas as peças de maneira diferente.

Gostaria de receber também a sua experiência e/ou opinião, através do email jng@negocios.pt. Por favor escrever "persistênca, um pau de dois bicos" em assunto.

*Fundador e líder executivo da Zonadvanced

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