Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião

Salários baixos e falta de motivação não ajudam

Com a economia em crise, a desaceleração das vendas, a falta de investimento, o medo pelo desemprego, etc, o trabalhador tende a ficar desmotivado levando-o a pensar em soluções alternativas e a desviar a atenção da...

  • Assine já 1€/1 mês
  • 2
  • ...
O trabalho é um posto de bem-estar e não uma "seca". Como empreendedor uma das minhas maiores preocupações é saber que os meus colaboradores estão bem consigo mesmo

Com a economia em crise, a desaceleração das vendas, a falta de investimento, o medo pelo desemprego, etc, o trabalhador tende a ficar desmotivado levando-o a pensar em soluções alternativas e a desviar a atenção da sua actividade.

Como líder e empreendedor deve manter no topo da sua agenda a motivação dos seus colaboradores. Quanto custa perder um bom colaborador versus motivá-lo? É certamente mais caro perdê-lo do que não o motivar.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) publicou um relatório referente ao primeiro trimestre, onde mostrava a remuneração dos portugueses, com o qual fiquei bastante preocupado. O relatório dizia o seguinte: "Um terço dos empregados (perto de um milhão e meio) não leva para casa mais do que 600 euros ao final do mês, líquidos, e outro milhão ganha um pouco mais, até 900 euros por mês".

É de extrema importância que os empreendedores portugueses, ou seja, os futuros empregadores do nosso país, reflictam sobre esta situação e comecem a aplicar algumas regras que disseminem o trabalho precário e aumentem a competitividade das nossas empresas.

O pensamento é simples: se não te dou dinheiro para gastares, tu não me darás dinheiro para que eu sobreviva. No fundo estamos a prejudicar-nos uns aos outros querendo uns ganhar tudo e outros nada, perdendo Portugal poder económico.

Cinco regras, para que todos os empreendedores tentem mudar esta tendência:
Regra 1: Deve motivar os seus trabalhadores, todos os dias, com pequenas acções. Muitas vezes basta um elogio, uma palmadinha nas costas, ou um obrigado. Não custa nada e motiva o colaborador.
Regra 2: Deve traçar um plano de carreira para cada colaborador. Não deixe que o seu trabalho seja sempre o mesmo sem qualquer objectivo. Tem de existir um caminho com princípio, meio e fim.
Regra 3: Remunerar com valores fixos e variáveis. O colaborador deve sentir que o seu performance não só beneficia economicamente a empresa como também o seu vencimento. É importante que o variável seja reflectido de imediato no vencimento para que o trabalhador acredite nele. Um variável anual não é motivador.
Regra 4: Saiba o que se passa na vida pessoal dos seus trabalhadores. Planeie almoços regulares, e individuais com cada trabalhador para saber se estão emocionalmente estáveis e profissionalmente contentes. Um trabalhador com problemas pessoais diminui acentuadamente a sua produtividade. Não custa nada entender a sua situação e motiva-lo para que se sinta bem no seu posto de trabalho.
Regra 5: Profissionalize e motive os seus colaboradores para justificar vencimentos acima da média. Um colaborador motivado, com formação adequada, e que sinta que a empresa investe em si, pode valer por dois ou três. Mais vale pagar bem a um, que pagar mal a dois. Isto resolve um dos problemas do trabalho precário e aumenta o poder económico.

Com quem trabalho tento manter estas regras, porque já as senti como trabalhador por conta de outrem. Quando trabalhava em Espanha para uma multinacional norueguesa, era muito bem pago e motivado pelos meus chefes. O resultado dessa combinação nunca me levou a desviar do meu trabalho, levando-me a trabalhar mais de 12h diárias. Aquilo para mim não era trabalho, era um prazer.

Hoje como empreendedor, uma das minhas maiores preocupações é saber que os meus colaboradores estão bem consigo mesmo, e que o trabalho é um posto de bem-estar e não uma "seca" que tenham de cumprir.

Muitas vezes, preocupo-me em almoçar com eles para que possa ter uma conversa relaxada e informal entendendo tudo o que se passa nas suas cabeças a nível pessoal e profissional. Faço questão de fazer parte da família e não de ser o chefe mais temido.

Riu com eles, brinco com eles, e trabalho com eles. Tento criar uma atmosfera relaxante e motivadora. Assim, e sempre que preciso deles eles estão comigo. Nunca tenho de pedir um favor. O nosso trabalho faz parte de um objectivo comum.

Quando ganhamos um cliente importante, ofereço um almoço, porque a vitória é nossa. Quando resolvemos um problema, dou os parabéns.

Aproveito os dias de ponte, para mudar os hábitos, dizendo-lhes que trabalhem ao seu ritmo, e no local que mais lhes agrade, porque pequenas mudanças no ritual, trazem grandes motivações. No posto de trabalho provavelmente esperariam pela hora de saída sendo menos produtivos.

Tudo isto é mais barato do que perder um bom colaborador, para além de ser mais divertido trabalhar assim.

Um antigo chefe meu disse-me um dia uma frase que nunca mais esqueci e que explica tudo. "O trabalho tem de ser divertido".

O que fazer
1. Crie um variável indexado às vendas para todos os colaboradores, ou construa um plano de acções
que possam ser adquiridas pelos trabalhadores para que os faça sentir parte da organização.

2. O pagamento dos variáveis aos colaboradores deve ser concretizado logo após a cobrança ao seu cliente, e não no final do ano, porque tal variável não será sentida pelo colaborador no momento em que se dedicou ao trabalho.
O trabalhador não é uma máquina, é um ser humano.
Motive-o constantemente, porque as empresas são feitas de colaboradores. Um colaborador motivado produz muito mais do que um não motivado, acabando por ser mais rentável para a empresa.
Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias