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Octávio Teixeira 15 de Novembro de 2011 às 23:30

Enfim uma luz?

Foi noticiado que a França e a Alemanha estudam uma alteração da zona euro. E o partido de Merkel aprovou uma moção visando tornar possível a saída do euro a qualquer país.

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Foi noticiado que a França e a Alemanha estudam uma alteração da zona euro. E o partido de Merkel aprovou uma moção visando tornar possível a saída do euro a qualquer país. Finalmente parece terem concluído que a situação actual é insustentável: as fortes heterogeneidades económicas na zona exigem taxas de câmbio, de inflação e de juros diferentes para cada país.

Mais vale tarde que nunca. Mas há soluções melhores que outras.

Uma solução possível que tem sido proposta é a criação de uma zona euro mais flexível para responder aos constrangimentos colocados aos países menos desenvolvidos. Os países mais homogéneos manteriam o euro como moeda única. Para os outros, a maioria, o euro seria uma moeda comum em relação à qual as suas moedas nacionais seriam convertíveis na base de uma taxa fixa ajustável regularmente, permitindo desvalorizações ou valorizações quando os países acumulem défices ou excedentes correntes estruturais. Só o euro seria convertível para moedas fora da zona, com controlo dos movimentos de capitais de curto prazo.

Teríamos, assim, um sistema monetário coordenado à escala da União mas flexível para permitir aos países o grau de soberania monetária necessário à concretização de políticas de pleno emprego, e uma zona de maior estabilidade monetária. E reduziria substancialmente os custos do abandono ou expulsão do euro que se perspectiva para vários países, incluindo Portugal.

E não se esgrima com o "papão" da Europa a duas velocidades. Isso é o que existe: a velocidade dos países excedentários e a dos deficitários. Nem com a Europa de geometria variável que é já uma facto: dez países não estão na zona euro e (pelo menos) o Reino Unido não tenciona integrá-la.

Sejamos realistas: ou há refundação do euro ou este implodirá.



Economista e ex-deputadodo PCP
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