Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião

Tudo está mal e vai piorar

E entrámos no ano de 2012. Contrariamente ao que é normal no início de cada ano, desta vez ninguém se atreve a prever um ano melhor. Pelo contrário, todos admitem que este ano vai ser ainda pior do que 2011. Para o País e para a generalidade dos cidadãos.

  • Partilhar artigo
  • 4
  • ...
E entrámos no ano de 2012. Contrariamente ao que é normal no início de cada ano, desta vez ninguém se atreve a prever um ano melhor. Pelo contrário, todos admitem que este ano vai ser ainda pior do que 2011. Para o País e para a generalidade dos cidadãos.

A economia entrará em nova recessão e a redução do défice orçamental, elevada à categoria de variável estratégica, só é conseguida através de operações extraordinárias. Porque as políticas de austeridade não permitem o crescimento e reduzem a base tributária.

Todos os dias aumenta o número de famílias que caem em situação de pobreza e recorrem aos bancos alimentares contra a fome.

Diariamente, milhares de pessoas engrossam o rol dos desempregados, daqueles a quem é recusado o direito ao trabalho.

O desemprego e a precariedade atingem cada vez mais jovens, incluindo jovens com elevadas qualificações (obtidas com justificados investimentos públicos na educação) a quem é proposta a emigração.

O acesso aos cuidados de saúde deixa de ser tendencialmente gratuito para passar a ser tendencialmente pago. Nem a indispensável renovação de um penso ou a solicitação de uma nova receita para doenças crónicas escapam ao pagamento de taxas que nada têm de moderadoras.

Os preços de bens e serviços essenciais, desde a electricidade e a água a produtos alimentares e transportes, vão aumentar muito, ao mesmo tempo que as pensões de reforma e os salários são reduzidos.

Em 2012, a generalidade dos cidadãos e o País ficarão mais pobres. E isso é da responsabilidade da política prosseguida. Os apelos a "agendas" para o crescimento são pios, porque não são possíveis enquanto a redução abrupta do défice for o alfa e ómega da acção política.

Essa política não é inevitável. Há alternativas e com futuro.

Economista e ex-deputado do PCP
Assina esta coluna semanalmente à quarta-feira
Ver comentários
Mais artigos de Opinião
Ver mais
Outras Notícias