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Pedro Fontes Falcão 11 de Agosto de 2020 às 23:04

A gestão do conhecimento nas empresas portuguesas

As relações internas não são suficientes. Uma boa gestão do conhecimento também deve incluir conhecimento externo à organização, proveniente de fornecedores, clientes, e outros stakeholders, assim como conhecimento originado da comunidade científica e académica.

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Fala-se muito do plano estratégico para Portugal, sendo um elemento-chave a qualidade das empresas nacionais.

Nesse contexto, levanta-se a questão da gestão do conhecimento, que pode ser definida de forma simples como o conjunto de tecnologias e processos cujo objetivo é apoiar a criação/captura, a disseminação e a aplicação do conhecimento que se traduza em resultados efetivos nas organizações.

Este conceito tem evoluído. Uma vertente que o enquadrava inicialmente era a existência de conhecimento explícito e o conhecimento implícito, aquele que não é explícito ou formalmente capturado (alguns autores diferenciam o conhecimento implícito de tácito, mas não irei abordar o tema). Por vezes, há uma quantidade elevada de conhecimento implícito que uma empresa pode perder mais facilmente.

O aumento da capacidade e desempenho das bases de dados e da tecnologia em geral facilitou o processo de tentar capturar e tornar acessível o conhecimento, normalmente o conhecimento de “como fazer”, que foi obtido operacionalmente e normalmente não teria sido capturado explicitamente.

Mas simplesmente implementar novas tecnologias não foi suficiente para permitir efetivamente a partilha de informações e conhecimento. Tornou-se óbvio que as dimensões humanas e culturais também precisavam de ser incorporadas.

Isto levanta uma questão muito relevante para as empresas portuguesas, nomeadamente a criação de uma cultura organizacional de abertura e colaboração, e simultaneamente de disciplina e organização. Estes aspetos são, infelizmente, pouco habituais nas culturas das empresas, e são difíceis de implementar tendo em conta o contexto da nossa cultura nacional, que se reflete naturalmente nas culturas organizacionais. Este é um ponto-chave a desenvolver na perspetiva interna de cada empresa.

Contudo, as relações internas não são suficientes. Uma boa gestão do conhecimento também deve incluir conhecimento externo à organização, proveniente de fornecedores, clientes, e outros stakeholders, assim como conhecimento originado da comunidade científica e académica.

Ora, sendo a confiança entre as empresas relativamente baixa em Portugal, isso torna-se num obstáculo adicional para a partilha de conhecimento (e para outro tipo de parcerias).

A mentalidade terá obrigatoriamente de mudar. Penso que as novas gerações estão mais cientes disso…

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