Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Pedro Fontes Falcão 06 de Maio de 2020 às 20:27

A negociação da “abertura” da sociedade e da economia

E se as imposições forem impeditivas da rentabilidade dos restaurantes, vão quase todos à falência? Prejudicando donos, empregados e também os seus eventuais credores e outros "stakeholders"?

  • Assine já 1€/1 mês
  • 1
  • ...

Não pretendo discutir se, como e que atividades se deveriam ter "fechado" no país, mas sim falar da abertura que agora se iniciou. Declarar estado de emergência e fechar quase tudo é mais simples do que o oposto. Agora é que começam as dificuldades, pois não se pensou antes em como se iria reabrir (compreendo que também não houve muito tempo para tal e a incerteza era grande) e as variáveis passaram a ser bastantes mais. Por exemplo, em relação aos restaurantes, na fase de "fecho" do país, só se discutiram essencialmente duas decisões: fechar ou não, permitir o serviço de takeaway ou não.

 

Mas agora, em relação à atual fase de abertura, há muitas decisões a tomar, o que torna a negociação muito mais complexa: mantendo o caso dos restaurantes, por exemplo, quando abrirem, que percentagem da capacidade do restaurante se pode permitir; que equipamento de proteção os cozinheiros, os empregados de mesa e os clientes devem ter; se os empregados de mesa podem entrar na cozinha; se os cozinheiros podem entrar na sala; se e que testes se fazem aos empregados, com que frequência, entre outros.

 

E, para além do que se possa considerar que é o que faz mais sentido para a saúde pública, também há a questão de se assegurar a legalidade das mesmas decisões (por exemplo, medir a temperatura das pessoas), e também o impacto económico.

 

Sobre o impacto económico, por exemplo, será que os restaurantes irão abrir se uma menor procura, o limite da capacidade e/ou os custos adicionais tornarem o negócio não rentável? Essa análise depende de mais uma variável - o que irá acontecer ao nível do número de estabelecimentos que quererão abrir, entrando-se aqui numa lógica de teoria dos jogos. Se eu tiver um restaurante e vários dos restaurantes da minha zona não abrirem, terei maior probabilidade de rentabilizar o negócio, pois irei ter mais clientes, que eventualmente conseguirei satisfazer se conseguir ser mais eficiente a servir os clientes, e com um preço que me permita rentabilizar o negócio (pois havendo mais procura poderei não ter de baixar preços ou eventualmente até subi-los de modo a compensar os custos adicionais). Mas se todos os restaurantes abrirem, haverá maior concorrência e eventualmente irá baixar a rentabilidade de todos.

 

E se as imposições forem impeditivas da rentabilidade dos restaurantes, vão quase todos à falência? Prejudicando donos, empregados e também os seus eventuais credores e outros "stakeholders"?

 

Agora é que as negociações se tornaram mais complexas, pois as variáveis a negociar são muito mais do que na "simples" decisão de fechar ou não os estabelecimentos. Que impere o bom senso e a capacidade de resistência a certas forças que por vezes só "atrapalham"…

 

Gestor e Docente Universitário

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias