Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 23 de abril de 2019 às 21:15

Apostar nas pessoas, o 1.º de Maio e as recentes greves

Não se sabendo o que vai acontecer no futuro, acaba por se recomendar que as pessoas procurem desenvolver as competências que as máquinas não poderão fazer, pois estas não podem ter emoções, compaixão, sonhar, entre outros.

Já todos ouvimos que a inteligência artificial terá um grande impacto nas nossas vidas, não sabendo ainda bem qual será nem em que magnitude, embora se comecem a ter algumas ideias.

 

Daqui resultam várias questões em relação ao futuro das pessoas. Contudo, tem-se debatido mais as implicações a nível do emprego das pessoas do que os benefícios que poderão surgir para a sociedade e para as pessoas em geral, o que é natural, pois a generalidade das pessoas precisa de trabalhar para viver (e ainda há uns que "vivem para o trabalho" e outros que não precisam de trabalhar para viver).

 

Primeiro, em termos de tipos de emprego, não se sabendo o que vai acontecer no futuro, acaba por se recomendar que as pessoas procurem desenvolver as competências que as máquinas não poderão fazer, pois estas não podem ter emoções, compaixão, sonhar, entre outros.

 

Segundo, há a questão do eventual aumento do desemprego, que é difícil de antecipar. Por um lado, e embora não tenha acontecido com as anteriores revoluções industriais, esta revolução vai ser tão rápida, que irá diminuir muito o período de transição, dificultando a eventual adaptação das pessoas aos novos empregos. Por outro lado, muitos assumem que vamos continuar com uma semana de trabalho de 5 dias. Mas se no passado já se trabalhou mais dias e mais horas por dia (lembram-se da origem do 1.º de Maio?), porque é que no futuro não podem ser menos dias ou menos horas diárias de trabalho, evitando assim o aumento do desemprego?

 

Já há algumas empresas que começam a discutir este tema, assim como outros (por exemplo, as economias de escala "versus" as economias de desmotivação - ao fazer-se a centralização de certas funções beneficia-se a empresa no curto prazo mas desmotivam-se as pessoas?).

 

Julgo que a grande questão é que o enfoque tem de ser na pessoa e não no emprego. Isso não é novidade, mas parece muitas vezes estar esquecido. Já nos anos 70/80, os dinamarqueses aproveitaram a queda da indústria naval para "aproveitar" os trabalhadores para trabalhar na energia eólica pois as competências dos trabalhadores eram semelhantes (hoje a Vestas é um "player" de relevo mundial em soluções de energias sustentáveis).

 

Todos sabemos que o futuro vai trazer camiões autónomos e que vamos tentar retirar cada vez mais veículos das estradas (por exemplo, com oleodutos) para bem do ambiente. Independentemente de os motoristas de matérias perigosas terem ou não razão para fazer greve, devem também pensar no que o futuro lhes irá trazer e como se devem desenvolver e formar como pessoas, não se focando apenas no seu emprego, que qualquer dia poderá já não existir. Isto aplica-se a todos nós…

 

Gestor e Docente Universitário

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