Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 11 de fevereiro de 2020 às 21:45

Cuidado com as medidas a tomar…

Não devemos esquecer a imagem dos movimentos pendulares, pois o pêndulo parece estar agora a começar a mover-se na direção oposta e um exagero na força pode levar a que ele passe muito além do ponto de equilíbrio.

Anotícia que Lisboa exige maior esforço para o arrendamento do que Barcelona e Berlim (cidades que enfrentam também problemas de acesso à habitação) não é uma surpresa, mas volta a alertar-nos para um assunto preocupante. Para além das pessoas que querem morar em Lisboa e não conseguem, também temos a desmotivação da generalidade dos jovens que sentem que ou não conseguem sair de casa dos pais, ou ao saírem de casa dos pais, não têm possibilidade de ficar a viver em Lisboa.

Ora, sendo um assunto importante, convém pensar em como agir. Mas, na minha opinião, não faz sentido “reagir a quente”. Reações tomadas sem grande reflexão não deverão ser as melhores, especialmente tendo em conta que os efeitos podem ser prejudiciais no médio-longo prazo e com impactos difíceis de reverter. E já há fatores a “fazer mexer o mercado”.

Por um lado, o mercado já começou a reagir há algum tempo, do lado da oferta, nomeadamente com o aumento da construção e reabilitação para a população em geral, e com o surgimento de edifícios destinados a segmentos específicos da população (por exemplo, alojamento de estudantes).

Do lado da procura, há várias medidas entretanto tomadas, como as zonas de contenção de alojamento local, a limitação da concessão dos vistos gold aos investimentos imobiliários em municípios do interior ou das regiões autónomas dos Açores e da Madeira, e a redução dos benefícios fiscais aos residentes não habituais, todas elas com potencial impacto negativo no valor dos imóveis, especialmente em Lisboa e Porto.

 

Reações tomadas sem grande reflexão não deverão ser as melhores

Para além disso, há fatores que não se controlam ou que não se esperam. Alguns tinham sido muito positivos, mas agora parecem estar a aparecer vários negativos. Por exemplo, a crescente atratividade de destinos alternativos turísticos a Portugal, e, mais recentemente, a crescente propagação do coronavírus (que todos esperamos que não se prolongue no tempo), deverá reduzir significativamente o número de turistas e de investidores imobiliários, especialmente chineses, o que terá impacto também no setor imobiliário.

Em resumo, não devemos esquecer a imagem dos movimentos pendulares, pois o pêndulo parece estar agora a começar a mover-se na direção oposta e um exagero na força pode levar a que ele passe muito além do ponto de equilíbrio.

O bom senso é sempre um bom conselheiro…

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