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Pedro Fontes Falcão 22 de Abril de 2020 às 19:24

E a versão final sobre a realidade da covid-19 será?

Se nem temos certezas sobre a covid-19, como podemos ter certezas sobre as melhores formas de minimizar os seus impactos, tendo em conta que cada medida tem diferentes impactos a vários níveis, para além da saúde pública, nomeadamente económicos e sociais?

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Embora muito comentado pela população em geral, a realidade é que ninguém tem certezas sobre a covid-19, circulando versões de diversos “peritos” que vão desde a ideia de que é parecido com uma gripe sazonal embora um pouco mais letal, até à ideia de que é muitíssimo contagioso e letal. Ainda cria mais incerteza as contradições sobre o uso das máscaras, e a credibilidade da Organização Mundial da Saúde (OMS), que foi posta em causa.

Ora, se nem temos certezas sobre a covid-19, como podemos ter certezas sobre as melhores formas de minimizar os seus impactos, tendo em conta que cada medida tem diferentes impactos a vários níveis, para além da saúde pública, nomeadamente económicos e sociais?

E é daqui que se sente uma sociedade mais dividida e em que os ânimos se começam a exaltar. Penso que a questão da celebração do dia 25 de Abril na Assembleia da República é um exemplo dessa divisão e maior exaltação das pessoas em relação à covid-19, em que quem não concorda com a visão de uns é enxovalhado por esses e vice-versa (por exemplo, neste caso, é usada a tática de “quem é contra a celebração é fascista”).

Não há assim certezas para se saber como lidar com a covid-19, tendo de se ir “navegando à vista” embora procurando obter e analisar bem a informação possível e tratada corretamente.

Creio que uma das poucas certezas é que não se deve usar o medo e o ódio como ferramenta para se atingir objetivos. Por exemplo, o medo de ficar doente pode impedir as pessoas de sair de casa para ir trabalhar quando assim for permitido e necessário, ou pode fazer as pessoas saírem de casa para ir trabalhar antes de permitido, com medo, neste caso, das consequências sociais e económicas de não o fazer. O medo e o ódio são ferramentas em que o “tiro pode sair pela culatra” e/ou deixar de ser controladas por quem as pretender usar para tentar manipular opiniões. Desaconselha-se a sua utilização.

E se por acaso se vier a confirmar um cenário muito pouco provável (mas que seria o melhor de todos), que a covid-19 afinal seria “quase equivalente a uma gripe sazonal”? Nesse caso, essa versão será fortemente atacada e negada e a versão “oficial” será sempre que a covid-19 era “perigosa” (o que parece ser a versão mais provável) pois não há governo em nenhum país que vá deixar que uma eventual versão de “gripe sazonal” seja aceite, após a “destruição” de milhões de milhões de euros de riqueza no mundo inteiro por causa da reação que foi decidida tomar devido à covid-19. A versão final da covid-19 que ficará nos “registos da história” já está fechada, mesmo antes de a conhecermos. Seria insustentável aceitar outra versão (que de qualquer modo, é pouco provável).

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