Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 15 de janeiro de 2019 às 19:29

É bom trabalhar em casa?

Na prática, o incentivo ao teletrabalho é positivo, mas não é nenhuma panaceia e tem de ser bem gerido para as situações certas e com as pessoas certas...

De acordo com um estudo da Regus sobre o impacto sócio-económico do trabalho flexível nas empresas e pessoas, há a previsão de que em 2030 entre 8% a 13% do emprego estará associado a espaços de trabalho flexíveis na maioria das economias desenvolvidas. A evolução tecnológica facilitará cada vez mais essa tendência. No caso do teletrabalho, espera-se que este irá trazer benefícios a pessoas, empresas, economia e ambiente. Fiz recentemente um estudo sobre o tema do teletrabalho e gostaria de deixar algumas notas sobre o mesmo.

 

Muitas empresas implementam o teletrabalho porque este oferece uma resposta a vários problemas. Por exemplo, para as empresas, podem ter maior atratividade no recrutamento, flexibilidade de pessoal, satisfação no trabalho e fidelidade organizacional, para além de menores custos de instalações (escritórios ou estacionamentos). A minimização das deslocações permite poupança de tempo, e de custos logísticos, ambientais e de desgaste das infraestruturas locais. Para além disso, ajuda os funcionários a obter um melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal (especialmente aqueles com filhos) e, nalguns casos, a poupar custos em roupa mais formal.

 

Contudo, também podem haver desvantagens. Uma óbvia é a falta de contacto pessoal com colegas e outras pessoas com quem se tenha de interagir, podendo prejudicar a comunicação e disponibilidade para imprevistos. Outras incluem, por exemplo que os teletrabalhadores também podem vivenciar mais conflitos entre o trabalho e a família, ao passar mais tempo com os seus familiares, já que o trabalho pode interferir na família e vice-versa. Um aumento no teletrabalho também pode contribuir para o isolamento não só de outras pessoas (amigos/família) mas também de instituições públicas.

 

Tendo em conta todos estes aspetos, dependendo das pessoas e das situações, pode haver um nível de intensidade do teletrabalho a partir do qual os efeitos (para as empresas) negativos sejam superiores aos positivos.

 

Para ser eficaz, o teletrabalho exige o apoio organizacional aos funcionários, envolvendo as chefias, colegas e subordinados. Para além disso, trabalhar eficientemente a partir de casa exige uma forte capacidade de planeamento de trabalho e competências de disciplina e autorregulação que possam permitir que os indivíduos funcionem efetivamente num ambiente (casa) que lhes proporcione um grande controle.

 

Na prática, o incentivo ao teletrabalho é positivo, mas não é nenhuma panaceia e tem de ser bem gerido para as situações certas e com as pessoas certas...

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