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Pedro Fontes Falcão 03 de Junho de 2020 às 19:40

O futuro do trabalho em Portugal

No futuro, o teletrabalho irá continuar, em que moldes e, a principal questão, qual a sua abrangência? Na prática, quantos trabalhadores irão ficar em teletrabalho?

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Foi divulgado o estudo sobre a situação atual a nível do teletrabalho em 954 empresas, realizado pelo Marketing FutureCast Lab do ISCTE em parceria com a CIP. Dos resultados, conclui-se que, na maioria das empresas, a produtividade não foi, aparentemente, penalizada pelo teletrabalho. Do lado dos colaboradores, a aceitação do teletrabalho pelos funcionários foi claramente positiva para a maioria dos casos, de acordo com os resultados.

No futuro, o teletrabalho irá continuar, em que moldes e, a principal questão, qual a sua abrangência? Na prática, quantos trabalhadores irão ficar em teletrabalho?

Obviamente, nem todas as funções estão adequadas ao teletrabalho. Mas gostaria de começar por referir que, antes da crise, fui coautor de um artigo académico que retratava a situação na altura, e gostaria de elencar apenas alguns pontos menos referidos. Assim, acrescentaria alguns potenciais aspetos negativos a considerar, como a conflitualidade familiar, a sensação de isolamento e a maior dificuldade de ter uma forte cultura organizacional. E ademais, cerca de 40% dos portugueses inquiridos no artigo tinham intenção de aceitar o teletrabalho, se as empresas lho propusessem. Este nível de aceitação era transversal à sociedade, resultando da análise de fatores de ganhos de qualidade de vida / produtividade, e de redução de stress, de tempo e de custos.

Após a atual experiência de teletrabalho por muitos, o nível de aceitação do mesmo parece ter aumentado, segundo este novo estudo. Mas, na minha opinião, a aceitação e abrangência do teletrabalho no futuro poderá ser ainda maior do que a aceitação atual resultante deste recente estudo.

Antes de mais, gostaria de relembrar que a situação atual que foi agora estudada é pior do que será o “normal” teletrabalho. Isto resulta de vários fatores, incluindo, entre outros, a falta de preparação de muitas empresas para o teletrabalho, que surgiu repentinamente e, em muitos casos, o facto de trabalhadores terem a família toda confinada em casa, tendo de dar apoio aos filhos.

Ora, se muitas empresas e colaboradores parecem ter gostado da atual situação laboral, que é pior do que o “normal” teletrabalho, então é muito provável que o teletrabalho venha a ter uma abrangência mais significativa no curto-médio prazo.

Termino referindo que a legislação laboral poderá ter de ser revista tendo em conta o crescimento exponencial do teletrabalho. Nessa altura, Portugal deve aproveitar essa oportunidade para modernizar a legislação laboral, de modo que reflita as mudanças que estão a ocorrer a vários níveis, adaptando-se a uma realidade mais “avançada”, oferecendo maior flexibilidade, e assim atraindo mais empresas e trabalhadores para viver e trabalhar no nosso país, mesmo que as suas empresas estejam noutro país. Obviamente, as alterações deverão evitar abusos e apoiar os mais necessitados, mas podem fazê-lo e simultaneamente propiciar uma maior atração de talento e dinamização da economia.

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