Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 13 de março de 2018 às 20:31

O problema está nas chefias das empresas?

A competência e os conhecimentos não resultam apenas das habilitações académicas, mas há alguma correlação entre ambos.

Entre outras conclusões, o estudo "O Mercado de Trabalho em Portugal e nos Países Europeus: Estatísticas de 2018", apresentado na semana passada no ISCTE-IUL, refere que mais de um terço dos dirigentes, diretores e gestores em Portugal concluíram apenas a escolaridade básica e que têm um nível médio de habilitações mais baixo do que os seus empregados. Admito que se aplique principalmente nas muitas micro e pequenas empresas que temos em Portugal.

 

Daqui podem retirar-se várias ilações, como a maior dificuldade desses dirigentes em conseguir gerir e desenvolver sustentadamente as suas empresas num contexto de cada vez mais e maiores mudanças, e de maior competição em geral.

 

Outra questão prende-se com a gestão de pessoas e atração de talento. Como é que esses dirigentes podem atrair bons trabalhadores? Por um lado, será que os potenciais recrutados querem ter um dirigente com significativamente menores habilitações do que eles próprios? Por outro lado, será que os dirigentes os querem contratar sabendo que depois os seus subordinados poderão ser melhores gestores do que eles?

 

Chamo a atenção para o facto de que a competência e os conhecimentos não resultam apenas das habilitações académicas, mas há alguma correlação entre ambos. Contudo, os dirigentes (com maior destaque para os menos habilitados) deverão continuar a apostar na sua própria formação, para poderem desenvolver-se mais profissionalmente e, também por isso, mais facilmente atraírem trabalhadores competentes para as suas empresas.

 

Para as empresas portuguesas em geral terem melhores desempenhos de forma sustentada, os dirigentes de topo devem agir de forma responsável e ética (pois sabem que servem de exemplo aos seus subordinados), devem procurar interessar-se pelos seus subordinados, quando possível sair do seu "piso/gabinete da administração" e ir aos restantes pisos falar com eles, e ajudá-los a tornarem-se cada vez mais competentes para que possam contribuir de melhor forma para o sucesso da empresa, entre outros. Isto aplica-se a todos os que desempenham cargos de dirigentes de topo, independentemente do seu nível de habilitações.

 

O país ganha se todos os gestores procurarem melhorar todos os dias o seu desempenho!

 

Gestor e docente convidado do ISCTE-IUL

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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