Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 04 de abril de 2017 às 19:51

O "teste ácido" do empreendedorismo nos jovens portugueses

Fui ontem a uma conferência sobre start-ups e inovação em Portugal. Debateu-se, entre outros, o nível de empreendedorismo dos jovens portugueses.

Além de análises estatísticas sobre o número de empresas criadas, creio que uma forma de analisar este tema, embora algo estereotipada, mostra que os jovens portugueses estão cada vez mais empreendedores.

 

Na altura em que terminei a licenciatura, a quase totalidade dos meus colegas queria um emprego em Portugal e numa grande empresa nacional ou multinacional. Muito poucos foram trabalhar para negócios da família, e julgo que fui o único a criar um negócio de raiz. Mas mesmo assim, passado um ano e meio não "resisti" e fui trabalhar para o banco de investimento do Millennium bcp. Os empreendedores recém-licenciados eram vistos pelos colegas como uma "malta estranha".

 

Há uns 10 anos, começámos a ter os empreendedores "por necessidade", pois não conseguiam arranjar empregos que os satisfizessem e/ou remunerassem minimamente. Mas, geralmente, avançavam com pequenos projetos sem muita ambição e com o desejo interior de posteriormente conseguirem um cargo no mundo corporativo. Contudo, já era "aceitável" para os jovens ir trabalhar para PME. Os empreendedores recém-licenciados eram então vistos pelos colegas como os que não se "safaram" nos processos de recrutamento.

 

Mais recentemente, já há vários recém-licenciados (incluindo alunos de topo) que não querem trabalhar para grandes empresas, pois estão claramente focados em desenvolver os seus próprios negócios ou trabalhar em start-ups com uma ambição de negócio global. Os empreendedores recém-licenciados começam agora a ser vistos pelos colegas como os "miúdos cool", embora não desprezando aqueles que optam pelo mundo corporativo.

 

Creio que este é o "teste ácido" (embora, admito, algo estereotipado) de que os jovens portugueses estão mais empreendedores, o que é muito positivo para o futuro do nosso país.

 

Gestor e docente convidado do ISCTE-IUL

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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