Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 09 de abril de 2019 às 19:45

Onde estás, Lisboa?

Assumir que o clima, praia e comida são suficientes como diferenciadores e "acomodar-nos" com esses fatores, claramente não chega, pois o frio e os invernos rigorosos não impedem muitas cidades de ser fortemente atrativas. Força Lisboa!

A empresa Mercer realiza anualmente um ranking das cidades com a melhor qualidade de vida do mundo. A empresa avaliou mais de 450 cidades, com base em 39 fatores divididos em 10 categorias, incluindo o ambiente sociocultural, político e económico, considerações médicas e de saúde, oportunidades educacionais e de lazer, o mercado imobiliário e o meio ambiente natural. Obviamente, pode discutir-se a validade de todos os critérios, a sua ponderação, a subjetividade da avaliação de cada fator, mas admito que seja um ranking válido tendo em conta a credibilidade de quem o realiza.

 

Nos primeiros 10 lugares estão oito cidades do Norte da Europa (da Áustria, Suíça, Alemanha e Dinamarca), acrescido de Vancouver (Canadá) e Auckland (Nova Zelândia). No top 20 acrescem mais cidades do Canadá, da Alemanha e da Suíça, e cidades da Austrália, Holanda e Luxemburgo. Até à posição nº 32 só entram cidades de países da Europa do Norte, Canadá, Austrália e Nova Zelândia (excluindo Singapura em nº 25).

 

Lisboa aparece em nº 37, tendo melhorado da posição 43 há apenas 2 anos atrás, o que são boas notícias. Contudo, a visão que muitos têm de Lisboa (cidade com bom tempo, muitas horas de sol, boa gastronomia, relativamente barata, ótimas praias a curta distância) é que se trata de uma cidade muito melhor para se viver do que as cidades do norte da Europa ou do Canadá, com invernos sombrios, frias, com pouco sol, que muitos pensam que devem ser "depressivas" sem a alegria do sol, calor e praia.

 

Ora, pelo que vemos, não é com os argumentos como estes acima referidos que Portugal entra no top 35 das cidades com a melhor qualidade de vida do mundo. Ou seja, não podemos "acomodar-nos" a estes fatores para ganhar competitividade, mas temos de ir mais longe e perceber bem o que podemos melhorar para subirmos noutros critérios relevantes. Se começarmos por olhar para cinco países - Alemanha, Suíça, Canadá, Nova Zelândia e Austrália (5, 4, 3, 2 e 2 cidades no top 20, respetivamente) talvez consigamos tirar ideias, para além de, obviamente, as ideias que surjam da análise dos critérios para a elaboração do ranking.

 

Assumir que o clima, praia e comida são suficientes como diferenciadores e "acomodar-nos" com esses fatores, claramente não chega, pois o frio e os invernos rigorosos não impedem muitas cidades de ser fortemente atrativas. Força Lisboa!

 

Gestor e Docente Universitário

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