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Pedro Fontes Falcão 25 de Agosto de 2020 às 19:19

Os pressupostos “fixos” e o “corporate governance”

Um processo de seleção de administradores não executivos, tendo em conta a questão da diversidade, entre outros, é assim, obviamente, muito importante.

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Tendo lido a notícia do Negócios de que o mercado vê a Euribor perto de -0,5% até ao final de 2021, fez-me lembrar de que estamos prestes a chegar à meia década de valores negativos da Euribor a seis meses.

Os bancos em geral não esperavam que a Euribor algum dia viesse a ter valores negativos. Aliás, a generalidade dos contratos não refletia essa possibilidade. O exemplo pessoal que muitos portugueses têm é o contrato de crédito à habitação, que não contemplava essa possibilidade no passado já longínquo.

A posteriori é sempre tudo fácil e óbvio. Como é que a banca mundial não pensou na possibilidade de a Euribor ficar negativa e incluído essa questão nos contratos?

Isto aplica-se a muitos setores, não se inferindo deste artigo qualquer crítica ao setor bancário, que aliás tem muitos profissionais competentes. Basta ver o preço negativo do petróleo que não se equacionou anteriormente e que ocorreu há poucos meses. Ou, um exemplo ainda mais abrangente, a pandemia que infelizmente temos e que também ninguém antecipou que tivesse este impacto.

Por um lado, a generalidade das pessoas que refletem sobre o seu negócio e o seu setor acabam por ter uma visão naturalmente menos aberta a diferentes pressupostos, até pelo não questionar de coisas supostamente “óbvias” e/ou que “sempre se fizeram assim”. Por outro lado, começar a fazer exercícios a questionar muitos pressupostos, especialmente aqueles considerados muito improváveis, pode ser um processo demorado e custoso, pelo que as empresas podem considerar que tal não se justifica.

Ora, isto leva-nos, entre outros, à questão que atualmente se fala da diversidade na composição dos conselhos de administração e, mais especificamente, da importância de ter administradores não executivos de diferentes setores de atividade da empresa em causa. Estes podem questionar certos pressupostos e ajudar a analisar as situações de perspetivas diferentes, o que pode ser útil. Contudo, também há desvantagens, pois estes podem contribuir menos para acrescentar valor ao negócio, por não o conhecerem e demorarem mais tempo a analisar os temas, consumindo mais recursos da empresa para lhes explicarem os assuntos para discussão em conselho de administração.

É este equilíbrio que torna mais difícil a escolha dos administradores não executivos que não têm experiência no setor em causa. Idealmente estes devem ter boa capacidade de aprendizagem, experiência de administração não executiva de empresas, e experiência em diversos setores, para poderem minimizar as desvantagens atrás referidas.

Um processo de seleção de administradores não executivos, tendo em conta a questão da diversidade, entre outros, é assim, obviamente, muito importante.

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