Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 08 de outubro de 2019 às 18:47

“Stakeholders” na gestão e na política

Trump soube identificar vários e satisfazê-los. Aos mais nacionalistas, apostou numa política muito protetora, traduzindo-se ora em ações e ameaças militares ora económicas/comerciais, como no caso da China.

Desde os tempos do início da expansão da Teoria dos Stakeholders por Edward Freeman, que tive o prazer de conhecer quando foi ao ISCTE-IUL, que a gestão dos "stakeholders" se tem tornado prática em muitas empresas. "Stakeholders" podem ser definidos como indivíduos ou grupos que podem afetar ou ser afetados pelas ações e objetivos de uma organização. A sua identificação deve ser seguida da sua avaliação (a favor, neutros ou contra) para que se defina a melhor forma de os tentar satisfazer de modo a tentar ter mais "stakeholders" favoráveis aos nossos interesses.

Ora isto aplica-se às empresas, mas também se pode aplicar de algum modo à política. Neste caso, por exemplo, numa perspetiva de gerir grupos de eleitores que podem ser segmentados de diversas formas, e depois serem satisfeitos os seus interesses (total ou parcialmente).

Por exemplo, Trump soube identificar vários e satisfazê-los. Aos mais nacionalistas, apostou numa política muito protetora, traduzindo-se ora em ações e ameaças militares ora económicas/comerciais, como no caso da China. Aos muitos imigrantes legais deu-lhes a perspetiva de expulsar dos EUA os imigrantes ilegais (tentando posicioná-los como concorrentes a empregos dos imigrantes legais). Aos empresários beneficiou-os com cortes nos impostos, favorecendo a bolsa em geral e todos os americanos que beneficiam dos seus ganhos (investidores e detentores de fundos de poupança). Aos mais liberais, a tentativa de reduzir a regulação em diversas áreas, destacando-se a ambiental, sem compensar essa redução com uma forte fiscalização. Poderíamos ainda identificar mais alguns…

Por cá, cada partido procurou (intencional ou não intencionalmente) apontar para certos "stakeholders" para ganhar os seus votos. É normal. Creio que uma diferença notada nestas eleições é que os maiores partidos têm mais dificuldade em satisfazer vários grupos diferentes, permitindo o surgimento de mais partidos com deputados mais focados num ou em poucos tópicos e, por isso, mais certeiros a ganhar o voto desses "stakeholders". Veja-se por exemplo o ambiente, o liberalismo, ou o populismo. Os grandes partidos poderão tentar incluir alguns desses temas na sua agenda, mas é difícil ter várias mensagens diversas, o que pode beneficiar os partidos mais pequenos.

 

Gestor e Docente Universitário

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