Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 03 de abril de 2019 às 21:50

À beira do precipício

Jean-Claude Juncker deu hoje um prazo limite ao Reino Unido, a data de 12 de abril. Até lá, de uma vez por todas, terá de se saber se é alcançado ou não um acordo que enquadre a saída do reino unido da União Europeia.

Aquilo que se tem passado, com este processo, não é desprestigiante só para o país de Theresa May. Também o é para toda a União.

 

Sem dúvida que não é fácil resolver o imbróglio em que o aventureirismo de alguns dirigentes britânicos lançou pelo menos a 28 países. Mas, julgo que todos concordaremos, em que a falta de lideranças fortes nos dois lados do processo, contribuiu, em grande medida, para esta degradação. Lideranças fortes indicam o caminho, rasgam horizontes, mobilizam vontades para se alcançarem objetivos comuns. Quando elas não existem, sucede aquilo que está a acontecer: o arrastamento penoso dos processos de decisão, o agravamento de impasses, a desorientação, as contradições, as indefinições, as hesitações, as múltiplas votações sem um rumo claro e consistente. Aliás, o que se passa com o Brexit é tão grave e tão profundo que até anestesia, ou coloca entre parêntesis, outros processos bem complexos, como é o de Itália.

 

Se notarmos, nas últimas semanas, praticamente não se tem falado sobre esse assunto nem sobre a resultante conclusiva do "braço de ferro" entre o governo de Itália e a Comissão Europeia, nomeadamente a propósito do valor do défice orçamental daquele estado membro. Podemos pois dizer que a Europa "anda ao Deus dará" e nem os debates a propósito das eleições europeias nos diferentes países, conseguem fazer despontar uma ténue luz que seja sobre o modo de levar por diante a UE no novo ciclo que se iniciará a partir do final de maio.

 

Theresa May, tentou agora, talvez o que devesse ter feito no inicio: chamar o líder da oposição Jeremy Corbyn à mesa das negociações e colocá-lo perante as suas responsabilidades. Devemos reconhecer que Theresa May tem lutado com todas as forças, com rara tenacidade. Mas quando uma liderança não é forte e esclarecida, por mais força que tenha, falta-lhe o essencial: o carisma, a força da convicção, a capacidade de mobilizar seguidores, até nas fileiras adversárias. Há exemplos vários no seu país de líderes, que em momentos muito difíceis, souberam unir a nação. Certamente que há muito tempo que o Reino Unido não estava tão dividido e não via os seus cidadãos tão ansiosos e inseguros quanto ao futuro. E como têm razões para isso.

 

Advogado

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