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Pedro Santana Lopes 01 de Julho de 2020 às 20:30

A RUA

A questão da rua não é pois, ser de esquerda ou de direita. Aliás, aprendemos na escola que quem vai para a rua é quem se porta mal nas aulas. É do que isto está a precisar: muita aula.

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A propósito de várias manifestações tem sido debatida a pertença política da rua. Será mais de esquerda, mais de direita?

Houve, uns anos depois do 25 de Abril, um semanário muito de direita, chamado RUA, de um cidadão militante das suas causas, Manuel Maria Múrias. Era um jornal com um papel de qualidade superior, do qual cada número era quase uma peça artística.

Esse jornal acabou um dia. Mas a Direita, naturalmente, continuou. Essa Direita e outras Direitas. Houve a Direita da Aliança Democrática, a Direita de Freitas do Amaral - candidato presidencial, houve a Direita com Cavaco Silva, houve recentemente a Direita de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. Mais com uns do que com outros, houve Direita na rua. Como durante anos, alguma Direita descia a Avenida da Liberdade com a grande combatente, Vera Lagoa, no 1.º de Dezembro.

Manda a verdade dizer que a Direita, se não a irritarem em demasia, não é muito dada a esse modo de estar e gritar na rua. Os extremistas, sim, mas aí são os de todo o lado: da direita, da esquerda, até do centro. Esses querem é sarilhos e confusão.

Os democratas acreditam noutros procedimentos, noutros modos de resolver diferenças e os que também já têm alguma experiência sabem que mesmo manifestações de cem mil pessoas, em Portugal, não mudam nada.

Reconhecer isso não significa que se ignore que a Direita, ou as Direitas, estejam a fazer o que devem ou demonstrem consciência plena do que está em causa e está em curso. Mas, para já, nesta fase, nestas circunstâncias de Portugal e do mundo, nem Direita nem Esquerda têm qualquer poder de mobilização. Como aliás se tem visto, nas recentes semanas, pela afluência às diferentes manifestações.

Não é por aí que as coisas mudam. Mudam pelas causas, se forem as que são sentidas pela maioria das pessoas. Mudam pelos líderes, se souberem interpretar esses sentimentos e esses anseios e lutar por eles com determinação. Quando não haja nem causas bem identificadas nem líderes com envergadura, as pessoas preferem aguardar.

São já muito poucos, sejam mais ou menos novos, os que acreditam em manifestações. Às vezes, mesmo com grandes causas e movimentos bem liderados, só aparecem uns poucos. Uma manifestação com muita gente pode traduzir-se em poucos votos mas também outra com poucas pessoas não significa que só poucos votem.

A questão da rua não é pois, ser de esquerda ou de direita. Aliás, aprendemos na escola que quem vai para a rua é quem se porta mal nas aulas. É do que isto está a precisar: muita aula.

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