Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 07 de novembro de 2018 às 19:57

Cuidarmos de nós

Disse na semana passada, na Grande Entrevista da RTP, e mantenho: não compreendo como o Estado renuncia tão facilmente à exploração de recursos naturais ao largo da sua costa.

Enquanto for possível lançar impostos, dará menos trabalho à governação imediatista e ligeira. Explorar os recursos dá mais trabalho: a investigar, a estudar, a planear, a executar. Dá mais trabalho e certamente demorará mais tempo. Lançar impostos é "tão fácil"!! Chega-se ao Parlamento, aprova-se uma lei, manda-se cobrar e arrecada-se.

 

São milhares de milhões de euros que estão em causa todos os anos. Também exportamos produtos refinados, mas a fatura líquida em termos energéticos continua a ser muito pesada.

 

Posso estar muito enganado, mas quantos países no mundo, que tenham indicação de que pode haver gás ou petróleo na sua costa, renunciam a saber a verdade que permitiria resolver parte considerável das suas carências quanto a recursos financeiros necessários para sustentar o seu nível de despesa?

 

A Noruega atribuiu, recentemente, 75 licenças de exploração. Alguém deixou de ir aos fiordes por esse motivo? Note-se que não estou a falar agora de prospeção onshore, mas sim offshore, nas águas marítimas.

 

Sou um intransigente defensor da proteção do ambiente e dos recursos naturais, mas precisamos de bom senso e equilíbrio. As sociedades escandinavas não são desenvolvidas, progressistas e amigas do ambiente? Quem o põe em causa?

 

Ou por sermos na Europa "mais papistas do que o Papa" ou porque o Estado se curva perante minorias ruidosas, os portugueses não podem ter direito ao mesmo que os cidadãos de países mais desenvolvidos que, claro, não deixam de aproveitar os seus recursos naturais?

 

Consultem a lista dos países produtores de petróleo... O terceiro, por exemplo, o Canadá deve ser subdesenvolvido e inimigo do ambiente. Vejam os PIB/pré-capita da Noruega e da Dinamarca. Mais de três e duas vezes o de Portugal.

 

Como estes preconceitos e estes politicamente corretos fazem mal à vida dos portugueses. Está na hora de acabar com isso. Está na hora de cuidarmos da industrialização da nossa economia, de desenvolvermos políticas públicas que liguem a investigação ao aproveitamento dos nossos recursos. Necessitamos de dar sustentabilidade ao nosso modelo económico e social. Não é só por aí, pela prospeção de recursos. Mas essa via também pode contribuir para mudar a realidade da vida de quem nasce em Portugal.

 

Advogado

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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