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Pedro Santana Lopes 13 de Agosto de 2020 às 19:45

Custa a crer

Custa a crer que os decisores políticos não entendam que não é por ser uma festa política que pode ser autorizada porque é exatamente ao contrário: a política é que tem de ser a primeira a dar o exemplo.

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Custa a crer que o PCP, que tem um sentido do dever muito próprio, possa considerar aceitável uma exceção para a sua festa anual.

Custa a crer que o PCP, defensor da igualdade absoluta, defenda privilégios para si quando o povo, por todo o país, se vê limitado nas suas festas tradicionais e tantos empresários e tantos músicos tiveram de cancelar iniciativas.

Custa a crer que o PCP não pondere devidamente as consequências que esta exceção poderia ter na evolução da pandemia em Portugal.

Custa a crer que os dirigentes não respeitem, como devem, a proteção e o direito à Saúde das pessoas que participem e de outras que poderiam sofrer consequências, mesmo não indo lá.

Custa-me também a crer que o Presidente da República aceite essa exceção por razões de mero interesse em cativar eleitorado comunista.

Custa a crer que Luís Marques Mendes – com o devido respeito pela sua autonomia pessoal – se manifeste tão contrário à realização da Festa do Avante se fosse muito diferente a posição do Presidente da República.

Custa a crer que a ministra da Saúde tenha sido tão explícita no que disse esta terça-feira se não fosse essa, também, a posição do primeiro-ministro, que certamente não a altera por querer o voto comunista no Orçamento do Estado

Custa a crer que qualquer decisor, político ou técnico, não sinta automaticamente, à luz do mais elementar bom senso, qual a orientação que, nesta matéria, deve ser seguida.

Custa a crer que alguém não entenda que os restaurantes dessa festa não tenham de respeitar as mesmas regras, por exemplo de lotação, que são obrigatórias para esses espaços comerciais em todo o país.

Custa a crer que não estejam em vigor, nessa realização, as mesmas normas para os limites de ajuntamento de pessoas que a polícia impõe em todo o território nacional.

Custa a crer que tantas pessoas tenham dificuldade em perceber o que essa exceção e as suas possíveis sequelas poderiam significar para a saúde de seres humanos e para os resultados e a imagem do país.

Custa a crer como o entendimento óbvio sobre este assunto não se impôs de modo imediato, imperativo e indiscutível.

Custa a crer que os decisores principais não entendam quanto os cidadãos precisam de sentir alguma confiança e de reconhecer algum sentido de justiça nas decisões que são tomadas pelos seus representantes.

Custa a crer que esses mesmos não entendam que a paciência das pessoas tem limites e que autorizar exceções faz aumentar a revolta que grassa e vai grassar grupos sociais cada vez mais alargados.

Custa a crer que os decisores políticos não entendam que não é por ser uma festa política que pode ser autorizada porque é exatamente ao contrário: a política é que tem de ser a primeira a dar o exemplo.

Custa a crer que este assunto não tenha sido resolvido logo à partida e que se tenha deixado a polémica arrastar por tanto tempo.

Custa mesmo a crer que o óbvio não se tenha imposto sem qualquer dificuldade.

Custa a crer que a alguém não custe querer impor os seus interesses de grupo ao interesse coletivo.

Custa a crer que o bom senso não acabe por se impor à desorientação própria destes tempos.

Custa a crer, mas a ninguém pode custar querer defender a saúde de todos e de cada um, bem como a boa imagem de Portugal e a economia nacional.

 

Custa a crer que o PCP possa considerar aceitável uma exceção para a sua festa anual.
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