Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 09 de agosto de 2018 às 21:50

Elevar o nível

É importante que os clubes tenham pessoas educadas como dirigentes, que dêem o exemplo aos adeptos e criem confiança aos investidores.

Começa este fim de semana mais uma edição das competições profissionais de futebol. Ouvi noutro dia um candidato (o facto de definir um candidato não significa qualquer preferência eleitoral) à presidência do Sporting Clube de Portugal afirmar que, se for eleito, tudo fará para promover a normalização das relações com os outros clubes portugueses e para contribuir para um bom ambiente, em geral.

 

No futebol português, entre outros motivos, elencou um que considerou básico: o ambiente de conflito permanente e da chamada lavagem de roupa suja só prejudica o próprio negócio, independentemente doutras consequências. Referiu até que nos países onde o futebol tem mais força não acontece os presidentes de clubes andarem sempre a discutir e a ofenderem-se na praça pública.

 

Um amigo meu que passa a maior parte do tempo atualmente em Londres espanta-se sempre, quando está em Portugal, e repara no tempo que se consome cá a analisar, a dissecar, a comentar, os eventuais erros de arbitragem. Costuma ele dizer que em Inglaterra os programas desportivos não perdem mais do que dois minutos com esse tipo de assuntos. Analisam e comentam a tática de cada equipa, as jogadas mais espetaculares, os golos e as "performances" de cada jogador.

 

A indústria do futebol, em Portugal, se quer ser economicamente rentável, precisa de facto de sanear o ambiente. Tem de demonstrar aos espetadores, aos consumidores, aos anunciantes, aos patrocinadores, que o único futebol que interessa é o que se joga dentro das quatro linhas. É importante que os clubes tenham pessoas educadas como dirigentes, que deem o exemplo aos adeptos e criem confiança aos investidores. Aliás, deve ser assim em tudo na vida mas, neste caso, é tão mais importante quanto a enorme atratividade deste desporto que desperta paixões em milhões e milhões de pessoas em todo o mundo. 

 

Como se sabe, na Europa, o movimento de setores influentes é cada vez mais no sentido de dar força cada vez maior à Liga dos Campeões, na qual jogariam, toda a época, as principais equipas europeias. Não sei se Portugal irá a tempo para conseguir mais e melhores lugares nesse comboio em andamento. Mas, a propósito de tempo, não se pode perder mais tempo para concretizar essa elevação do nível que se respira em torno do futebol nacional. 

 

Advogado

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

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