Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 09 de outubro de 2019 às 20:54

Glória aos vencedores

Esta noite eleitoral teve pelo menos uma vantagem: nunca mais vão poder dizer a mentira que repetiram estes anos todos. A de que: o pior resultado da história do PSD tinha acontecido comigo.

Faz esta sexta-feira, dia 11 de outubro 10 anos que disputei as eleições para a Câmara Municipal de Lisboa com António Costa. O atual primeiro-ministro era então presidente da Câmara de Lisboa há só dois anos. O partido a que eu pertencia convidou-me para esse combate três anos depois de terem impedido a minha recandidatura à câmara municipal que havia ganho em 2001. Ou seja: em 2001 ganhei contra uma coligação PS/PCP, liderada por João Soares; em 2005 impediram-me de ser candidato; em 2009 entenderam outra vez que eu era o melhor candidato.

 

Isto tem sido a minha vida. Em 1997, 12 anos antes dessa disputa, também fui candidato à Figueira da Foz depois de uma distrital de Lisboa, presidida por Pacheco Pereira, ter vetado o meu nome como candidato a Sintra ou a Cascais, onde, para além de Torres Vedras, as respetivas estruturas concelhias tinham proposto o meu nome, por unanimidade. Tem sido assim o meu percurso de vida. De facto, quase sem parar, combate atrás de combate. Quando estive mais tempo sem preconizar essas disputas foi exatamente entre 2009 e 2017, ano em que cessei as minhas funções como Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

 

Há 10 anos, a diferença foi muito pequena, contra um presidente de câmara que tinha acabado de entrar e estava, portanto, em estado de graça. Na altura, não houve debates para as autárquicas próximo das eleições. Estranhamente, porque houve em autárquicas anteriores e em autárquicas posteriores. Fizeram um debate, num canal televisivo entre António Costa e eu, julgo que em junho, quatro meses antes das eleições. Eu só aceitei ir a esse debate com a condição de ele não prejudicar aqueles que deveriam ter lugar próximo da campanha. Garantiram que assim seria, que eu podia estar descansado. Mas não houve mais nenhum.

 

Tem sido assim o meu percurso de vida, na luta, em combates muito difíceis. Qual a conclusão que tiro com o que aqui escrevo? Nenhuma. É uma reflexão, para mim e para outros.

 

Quando ouvi, na noite das eleições deste passado domingo, um líder partidário reclamar contra as sondagens que teriam dado sempre piores resultados, não pude deixar de sorrir. Lembrar-se-á o referido líder de umas sondagens, em 2017 e 2018, que constantemente diziam que ele arrasaria o seu oponente? E não arrasou nada. A diferença foi de 7% e chegaram a dar 70%. Esta noite eleitoral teve pelo menos uma vantagem: nunca mais vão poder dizer a mentira que repetiram estes anos todos. A de que: o pior resultado da história do PSD tinha acontecido comigo. Era mentira, mas nunca se cansaram de o dizer. Agora, para manterem a coerência, têm de dizer que foi com esse líder. Ou será que agora vão reconhecer que estavam enganados, que houve resultados piores; o que vale é que os percalços na democracia portuguesa não acontecem só comigo. Agora, quando as pessoas vão votar levam a resposta de que já tinham votado. E ninguém quer saber?

 

Já agora - e não tomem nada disto como suposta desculpa - qual o motivo pelo qual o Livre, o Chega e o PAN aparecem nos boletins de voto com letra maiúscula? Consultem os acórdãos do Tribunal Constitucional de promulgação desses partidos e a da ALIANÇA e vejam se há diferenças. Eu sei que "manda quem pode, obedece quem deve" mas, já agora, se pudéssemos ter uma explicação.

 

Advogado

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