Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 05 de dezembro de 2018 às 23:07

Inteligência e esclarecidos 

Faz impressão como pessoas inteligentes e esclarecidas conseguem reagir negativamente ou, pelo menos com o incómodo, quando se diz que a União Europeia não pode continuar assim.

Numa altura em que Paris está a arder e França vive em sobressalto, numa ocasião em que ainda não há certeza se o Brexit será ou não aprovado, numa circunstância em que Itália assume violar as regras orçamentais da Zona Euro, é difícil acreditar que haja alguém que não entenda que é preciso repensar o projeto europeu.

 

Faz impressão como pessoas inteligentes e esclarecidas conseguem reagir negativamente ou, pelo menos com o incómodo, quando se diz que a União Europeia não pode continuar assim. É a própria União Europeia que se põe a si própria em processo de profunda reforma, como é compreensível.

 

Tudo tem sido tão complicado nos últimos anos, na vida da União Europeia que foi a própria realidade a impor a necessidade dessa restruturação.

 

Pode acontecer que, apesar de todas essas crises, ainda haja federalistas, ou seja, pessoas que sonham com a criação de um Estado, com poderes soberanos, por cima de todos os Estados atualmente existentes. O sonho! Mas a experiência das décadas anteriores coloca essa hipótese cada vez mais longe, tendo o Estado-nação demonstrado uma resistência surpreendente.

 

Paulo Almeida Sande, candidato a cabeça de lista, pela Aliança, às eleições europeias, declarou sempre em muitos escritos, não ser federalista. No entanto, o facto de ter trabalhado já muitos anos nas instituições europeias levou logo alguns espíritos apressados a afirmarem que ele era federalista e que, sendo profundamente europeísta, não poderia cumprir a ideia da Aliança de uma nova atitude em Bruxelas, uma coisa ficou já demostrada: já se sabe que a Aliança defende isso, preconiza que Portugal assuma um novo modo de relacionamento com as autoridades da União Europeia. A Aliança defende isso, não por ser antieuropeia, mas sendo igualmente europeísta. Defende isso, acima de tudo, por considerar importante para Portugal.

 

Está escrito na Declaração de princípios da Aliança: "Sendo europeus e europeístas não aceitamos dogmas sobre a construção europeia. Acreditamos num projeto da União Europeia que respeite um princípio da coesão económica e social. A União Europeia precisa de ser reformada e Portugal precisa de reforçar a sua atitude face à União."

 

Como tive ocasião de dizer no domingo passado na apresentação de Paulo Almeida Sande, se outra fosse a posição da Aliança, ninguém teria medo de a proclamar, e esse caminho do antieuropeísmo até é sinónimo de facilidade na angariação de votos. Mas não, nós acreditamos na importância do projeto da União Europeia, mas queremos aquilo que resulta da mais básica das apreciações do estado da União: que se entre num novo ciclo, como aliás o presidente da Comissão Europeia tem referido.

 

Se todos os que já trabalharam algum tempo, ou muito tempo nas instituições europeias, fossem federalistas, a Europa estava cheia deles. Paulo Sande não o é e é a pessoa ideal e a voz autorizada para defender em Bruxelas e em Estrasburgo uma nova atitude de Portugal na defesa de uma maior coesão económica e social.

 

Advogado

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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