Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 27 de junho de 2018 às 20:45

Muito tarde

Aquilo que se passa neste momento no aeroporto de Lisboa é uma verdadeira emergência nacional, que pode ter consequências complicadas na economia do país.

Na semana passada, voltei a escrever sobre o tema das infraestruturas aeroportuárias. Nos dias seguintes - naturalmente não por causa desse texto, mas pelos factos em si -, fervilharam ainda mais as notícias sobre a situação do aeroporto de Lisboa. Julgo que dois dias depois, saiu à estampa um artigo no El País em que, significativamente, o título era "Caos", dizendo ser esse o novo nome do aeroporto Humberto Delgado. Descontando a óbvia "imparcialidade" dos nossos queridos e amigos vizinhos espanhóis, que não têm qualquer interesse nisso, o dito artigo tem carradas de razão.

 

Na descrição que faz das filas à chegada e à partida, nomeadamente nos postos alfandegários, descreve a triste realidade. O aeroporto do Montijo, ou seja, lá onde for, até pode estar lamentavelmente atrasado, mas por que motivo não há mais capacidade para resolver a situação que existe agora? Quer na circulação nas pistas, quer na descarga de bagagens, quer no número de postos e agentes do SEF, têm de ser concretizadas medidas novas, de efeito tão imediato quanto possível. Eu sei que não são muitas as pessoas que nasceram para resolver problemas ou situações, até porque a capacidade de decisão é algo que não abunda. Capacidade de decisão que tem de estar associada a forte imaginação, a racionalidade de gestão e a velocidade de execução. O que não pode continuar é a situação como ela está. E cabe acrescentar a fila para os táxis que, por vezes, consome também horas a quem chega a Portugal para umas ansiadas férias.

 

Por vezes, faz impressão não podermos medir o grau de incómodo que as pessoas que estão colocadas em determinados lugares de decisão sintam perante situações tão prejudiciais para o país como estas são. Portugal tem de utilizar, em plano de emergência, todas as infraestruturas aeroportuárias que tem construídas. Portugal não pode causar dano a esta enorme vaga de procura turística que há anos se dirige para o nosso país. Seria um crime de lesa-pátria deixar a situação continuar como ela está e, por isso mesmo, é impossível esperar por 2021 ou 2022. Os turistas que vão chegar ou partir ainda este ano, durante os anos 2019, 2020, 2021, têm de encontrar uma nova realidade e não o tal Caos que envergonha Portugal e os portugueses.

 

Como é óbvio, nem todos os passageiros que aterram no aeroporto de Lisboa vêm para a capital ou para a região que a circunda. Os quase 3 milhões de turistas que visitam a região centro importar-se-ão, muitos deles, em aterrar em Monte Real? E nas bases militares anexas à Portela ou perto de Lisboa, não há possibilidade de ajudar à descompressão de que o aeroporto de Lisboa necessita? Todas as alternativas têm de ser analisadas sem qualquer tipo de preconceito ou de constrangimento, naturalmente com respeito pelos compromissos militares internacionais de Portugal. Só que aquilo que se passa neste momento no aeroporto de Lisboa é uma verdadeira emergência nacional, que pode ter consequências complicadas na economia do país, no seu tecido social, incluindo os níveis de emprego dos nossos compatriotas. Aqui não se pode perder tempo nem deixar para amanhã. Hoje já é tarde, muito tarde mesmo.

 

Advogado

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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