Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Pedro Santana Lopes - Advogado 28 de Setembro de 2016 às 20:55

Novo Banco: matriz portuguesa

A economia portuguesa, as empresas portuguesas, o setor social português, precisam de um Novo Banco de matriz portuguesa.

  • Assine já 1€/1 mês
  • 14
  • ...

Na semana passada, escrevi neste espaço que agora chegou, mesmo, a hora do Novo Banco. Resolvido o problema do BPI, genericamente resolvida a situação da Caixa, em vias de resolução o BCP, temos então o Novo Banco. Pelo que se vai lendo e ouvindo, há quem pense que fica bem, por exemplo, o BPI, banco que vai passar a ser controlado por capitais espanhóis, "ficar" com o dito Novo Banco. Mas tenho lido pouco sobre os termos em que isso deve acontecer. Manter-se-á aquela corrente de opinião, segundo a qual é inaceitável que o Novo Banco seja vendido por um preço que não seja próximo dos 4,9 mil milhões de euros, que tiveram de ser suportados pelo Estado através do Fundo de Resolução? É que nos tempos do Governo anterior era isso que se dizia. Não quero entrar nesse estilo de truques e patranhas e vir agora dizer que a culpa dessa mudança, que há na opinião difundida, é responsabilidade do atual Governo. Qualquer pessoa compreende que as circunstâncias mudaram, que o estado do sistema financeiro em Portugal piorou, que já houve uma primeira ronda do Novo Banco e não esteve nem próxima desse valor, e que as propostas da segunda ronda pouco acima do zero estão.

 

Assim sendo, como defenderão essas pessoas, que entendem que o BPI "casa" bem com o Novo Banco, que a venda deva ter lugar? Quanto deverá pagar quem compra? Que contingências ou imparidades devem ser assumidas pelo Estado? Se não forem pagos os 4,9 mil milhões de euros como se deverá fazer pagar o Fundo de Resolução? Na diferença que existe para os 4,9 mil milhões de euros, que acordo deve ser feito e a que prazo? 20 anos, 25 anos, 30 anos? E deve existir alguma condição segundo a qual o Novo Banco não deve ser fracionado? Ou será aceitável que vá a rede de balcões para um lado, os negócios secundários, como os seguros, para outro, e o imobiliário ainda para outro?

 

O assunto é sério demais e importante demais para tudo isto ser feito daquele modo repentino e inesperado que dá normalmente pelo nome de facto consumado. O Novo Banco não pode ser nem o Banif nem o BPN. Como se sabe, o Novo Banco é muito mais importante do que qualquer um desses dois e é essencial para a economia portuguesa. Dizem que um banco estrangeiro, se comprar o novo Banco, dar-lhe-á uma outra dimensão. Mas que tipo de dimensão será? A de um verdadeiro banco autónomo e a reganhar pujança ou um banco subsidiário do banco que o adquira?

 

Costuma-se ouvir que não há dinheiro em Portugal. Não estou de acordo, porque não é verdade. Mas se for para comprar o banco pelo dinheiro que outros querem pagar por ele, garanto que há muito quem o possa comprar em Portugal. O que não vale é novamente aparecer um acordo em que uma grande empresa portuguesa seja paga com o "pelo do cão".

 

Já perdemos valor a mais para encararmos tudo isto sem alguma exaltação. Não estou a dizer que o BPI ou qualquer outro banco estrangeiro não possam comprar o Novo Banco, mas tem de ser muito bem vendido. A economia portuguesa, as empresas portuguesas, o setor social português, precisam de um Novo Banco de matriz portuguesa. Respeito outras posições, mas esta é a minha posição.

 

Advogado

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias