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Pedro Santana Lopes 01 de Outubro de 2020 às 19:25

Obrigatório

É difícil, para não dizer impossível, que o BE se bata por medidas que favoreçam o investimento privado, nomeadamente estrangeiro. Por isso mesmo, deve haver maior abertura do Governo, e do PS, para se dar início a um novo ciclo político.

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É evidente que não pode existir uma crise política.

Com toda a situação que se vive, com a próxima presidência portuguesa da União Europeia, com o impedimento constitucional de dissolução do Parlamento, durante os próximos tempos, nada permite uma inconsciência dessas.

O Presidente da República tem explicado bem e insistido bastante na apresentação das razões pelas quais é inconcebível que tal aconteça. Talvez tenha sido demasiadamente crédulo quando afirmou que era natural e provável a viabilização com os parceiros parlamentares à esquerda do PS. Mas, na verdade, era, e ainda é. E ainda mais passou a ser quando António Costa declarou, há pouco tempo, ser impossível o Governo depender, para a sua continuidade, do apoio do PSD. Por outro lado, o PCP, ciente dos prejuízos eleitorais que a chamada geringonça lhe causou, afastou-se e prefere não entrar em novos acordos, tendo apresentado um caderno de encargos muito exigente.

Tudo junto deu muita força ao Bloco de Esquerda e toda essa força, para o OE ser aprovado, só se pode traduzir na exigência de medidas que vão em sentido inverso àquele que é mais conveniente para a economia portuguesa.

É difícil que assim não seja. É difícil, para não dizer impossível, que o BE se bata por medidas que favoreçam o investimento privado, nomeadamente estrangeiro. Por isso mesmo, deve haver maior abertura do Governo, e do PS, para se dar início a um novo ciclo político. Novo ciclo não significa, forçosamente, novo governo. Mas pode significar um novo quadro de entendimento parlamentar.

Bem sei que por vezes acontece o inacreditável. Ouvi uma entrevista de um vice-presidente do PSD, na TVI 24, esta semana. Percebi a argumentação. Mas seja o que for que cada um tenha dito – Presidente, primeiro-ministro e oposição –, têm de esquecer as palavras menos adequadas que utilizaram e tudo fazer para assegurar que, pelo menos, até final do primeiro semestre de 2021, teremos Governo em plenitude de funções. É o que se exige pelo mais elementar sentido de responsabilidade e pelo devido respeito pelo interesse da pátria. 

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