A carregar o vídeo ...
Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Pedro Santana Lopes 17 de Setembro de 2020 às 09:20

Sufoco por conta

Há sempre temas muito interessantes ou intensos para debater todos os dias. Seja da política, do desporto, da economia, da banca, de Trump, de Bolsonaro, de crime ou desastre natural.

  • Assine já 1€/1 mês
  • 1
  • ...

Peço desculpa de falar de um assunto que preocupa muito quem trabalha, quem gere empresas, quem paga ordenados.

 

Na verdade, estamos num ano em que a economia foi severamente atingida pela pandemia. É escusado estar a repetir os números em que essas sequelas se traduzem, especificamente, na economia portuguesa. É muito difícil o Estado prescindir de receita numa altura como esta. Só que há situações em que essas receitas, se resultarem de esforços excessivos das empresas, podem desaparecer para sempre. E se for reduzido o nível de esforço da entidade contribuinte, ela pode pagar menos num ano mas continuar a pagar, a manter empregos e a contribuir para o produto, para a riqueza nacional, nos anos seguintes.

 

Com efeito, neste ano tão difícil, que se segue a outro em que a economia cresceu com dinamismo, juntar o IRC de um ano de bons resultados com pagamento por conta num ano mau, que não gerará, nem pouco mais ou menos, um rendimento coletável sequer aproximado, representa um esforço impossível para muitas empresas.

 

Têm sido tomadas muitas medidas sobre as várias contribuições a pagar ao Estado, nomeadamente deferindo prazos e, também, admitindo novas regras de liquidação, faseando-as. Só que não há perdão pelo que continua a exigência de pagamento. E, quando chega, não há dinheiro suficiente para tanto imposto.

 

Sei que, neste imposto, já há algumas facilidades mas, mais tarde ou mais cedo, soa a hora da cobrança e da liquidação, mesmo permitindo-se uma simulação de acordo com a realidade. A verdade é que o Estado solicitou, também este ano, os três pagamentos, a ver se pega.

 

Foi pedido a Costa Silva um plano estratégico para os próximos anos da economia portuguesa, nomeadamente escolhendo caminhos para a aplicação das enormes quantidades de recursos financeiros que vêm da UE. A questão fiscal merece um aprofundamento muito grande para sabermos todos por onde ir, por onde baixar impostos mantendo ou mesmo aumentando a receita. Holanda, Irlanda, Áustria, Chipre, Luxemburgo (para não incluir Malta)... têm perdido ou têm ganho com as reformas fiscais ousadas que fizeram? Julgo não haver dúvidas. Portugal também precisa.

 

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias