Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 19 de fevereiro de 2020 às 20:36

Uma Grande Senhora

Fernanda Pires da Silva era uma grande senhora, uma grande empresária, uma grande portuguesa muito respeitada no seu país e, nomeadamente, no Brasil.

Conheci Fernanda Pires da Silva em 1995. Foi a seguir ao Congresso do PSD, no Coliseu dos Recreios. Foi o congresso da saída de Cavaco Silva e em que a liderança foi disputada, principalmente, entre Fernando Nogueira e Durão Barroso, mas também por mim. Muitas pessoas consideram memorável aquele congresso e oiço muitas vezes, em todo o país, muitas pessoas a fazerem essa referência. Muitos dizem que foi certamente o meu melhor discurso e um número considerável me confidencia que passou a ser meu apoiante desde esse dia.

Uma das pessoas que me falou nos dias a seguir e fez questão de me conhecer foi exatamente Fernanda Pires da Silva. Marcou o dia e a hora e lá fui ter a honra de me encontrar com aquela Senhora que eu, de longe, admirava. Naturalmente, não vou repetir todas as palavras simpáticas que me dirigiu a propósito das minhas intervenções nesse congresso. Falou-me, falámos, de Francisco Sá Carneiro. Disse-me que esperava muito de mim e fez-me um convite para trabalhar, como advogado, num determinado processo das suas empresas.

Conto isto porque é o meu testemunho da honra que tive em conhecer uma tão marcante personalidade. Já conhecia o seu filho, Abel Pinheiro, de relações pessoais que nada tinham que ver com política ou com trabalho. Honra porque conheci uma grande senhora, uma grande empresária, uma grande portuguesa muito respeitada no seu país e, nomeadamente, no Brasil. Era uma “mulher de armas”, uma líder, uma pessoa corajosa, destemida e competente.

Por razões diversas, não pude estar presente nas cerimónias religiosas após a triste notícia da sua partida. Como pessoa, como cidadão e como português, devo-lhe este testemunho público de reconhecimento e muita admiração.

 

Fernanda Pires da Silva é uma referência marcante e um exemplo que ajuda a caminhar na vida pela estrada que vale a pena.



Estamos num tempo em que abundam exemplos de pessoas sem “tarilho” – como se diz em certas regiões do país – e de situações sem nexo. Somos todos os dias bombardeados com repetições, até à exaustão, de crimes, ou de insultos, ou de conflitos e por debates sem nível e cheios de vulgaridades, quando não ordinarices sem limite. Como tenho escrito neste espaço, o mundo precisa cada vez mais de referências sólidas e de bons exemplos. Fernanda Pires da Silva, para quem a conheceu, e não esquece, é uma referência marcante e um exemplo que ajuda a caminhar na vida pela estrada que vale a pena.

P.S.: Guimarães é uma cidade muito bonita, é a cidade-berço e merece todo o respeito. O Vitória de Guimarães é um grande clube português com uma história notável, com uma massa associativa vibrante e que é das raras exceções que faz questão de marcar o seu lugar num país que só olha para os clubes que têm sido os três mais poderosos. O racismo é algo de repugnante, e ofender alguém pela cor da sua pele é algo miserável. Mas, quem o fez, não foi a cidade de Guimarães nem o seu principal clube. Foram algumas pessoas que, sejam trinta ou sessenta, não se confundem nem representam o Vitória de Guimarães ou a cidade-berço de Portugal.

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