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Pedro Santos Guerreiro psg@negocios.pt 28 de Outubro de 2010 às 12:19

Alvos em movimento

É costume dizer-se que a liderança é um posto solitário.

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No PS, tem-no sido demais. No PSD tem-no sido de menos. E o resultado é um País sem Orçamento. Quem diz que Passos Coelho e Sócrates são farinha do mesmo saco nunca viu joio na vida.

Devíamos estar a avançar na economia, não a estacar na política. Mas é como estamos. Porque é o que temos. O Governo não tem sentido de Estado. O PSD tem estado sem sentido. E o Presidente da República não tem poder, como não se cansa de dizer.

Foi Cavaco Silva quem impôs Eduardo Catroga a Pedro Passos Coelho, que não lhe deu a glória de um acordo antes do anúncio da candidatura a Belém. As negociações falharam e, nisso, fracassou também a influência de Cavaco. Mas não foi dinheiro o que separou PSD e PS de um acordo. Foi vontade.

Sócrates e Passos Coelho tiveram tempo e espaço suficiente para se entenderem. Mas prevaleceu o instinto de desresponsabilização política perante as medidas de austeridade. O PSD propôs um corte adicional de despesa e subentendeu uma derrapagem no défice para 2011 perigosa de mais para testar. Mas cedeu. Cedeu no que antes considerou sagrado, o aumento de impostos. O Governo não quis dar o passo final.

A indefinição do PSD é intolerável. Como diz a manchete de hoje do Negócios, "OE ou não é". É melhor a coragem kamikaze de um "não" que o taticismo prolongado de um "talvez". Em todo este processo, Pedro Passos Coelho tem sido mais coerente que todos aqueles que falam por ele. Talvez devesse dispensá-los. Sobretudo aqueles que, visivelmente, sentando-se à segunda-feira no Conselho Nacional, fecham na terça-feira negócios particulares. As suas intenções ficam claras. Branquinho é, galinha o põe.

Mas o Governo não é a "meias", o que aliás é pena, e é o PS que está mandatado para resolver o que não resolve. As sondagens começam a mostrar uma queda acelerada das intenções de voto em Sócrates, à medida que cada vez mais pessoas se vão apercebendo dos cortes nos seus salários. E cada vez mais parece que Sócrates, o resistente, quer cair já, responsabilizando o PSD pela ingovernabilidade e precipitando uma crise política que dilua o ónus da desgraça que aí vem em 2011.

Portugal está na ingovernabilidade. No Conselho de Estado que convocou para amanhã, Cavaco Silva tem de preparar soluções activas. Intervir para assegurar "o regular funcionamento das instituições" não é um direito do Presidente, é uma obrigação.

Assim, não vamos lá. PS e PSD contam espingardas e José Sócrates e Pedros Passos Coelho já as vêem apontadas às suas cabeças. Passos Coelho está a esticar a corda, Sócrates diz que as cordas, que estão nas gargantas, são colares de pérolas. No meio disto, há um País parado. É Portugal. A democracia precisa de resolver este impasse para não se dissolver a si própria. Se Sócrates não quer governar deve demitir-se. Obviamente.


PS: O Governo não vai, afinal, cortar o subsídio de alimentação nas empresas do Estado, uma medida cujo impacto devastador nos rendimentos mais baixos o Negócios revelou esta segunda-feira. Na terça-feira, aqui critiquei a injustiça desse corte, que tiraria 100 euros a quem ganhasse 600 ou 700. Hoje, anunciamos que o Ministério das Finanças vai manter os valores. Não é um recuo, é um avanço. Aplausos.


psg@negocios.pt





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