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Pedro Santos Guerreiro psg@negocios.pt 13 de Junho de 2012 às 23:30

O contador estragado da EDP

Sejam 480 mil clientes prejudicados, como acusa a Deco, ou 30 mil, como defende a EDP, o caso é grave. Tanta tecnologia de ponta, engenharia premiada, qualidade de gestão, tanta internacionalização, sustentabilidade e a empresa não se sabe acertar um relógio?

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Sejam 480 mil clientes prejudicados, como acusa a Deco, ou 30 mil, como defende a EDP, o caso é grave. Tanta tecnologia de ponta, engenharia premiada, qualidade de gestão, tanta internacionalização, sustentabilidade e a empresa não se sabe acertar um relógio?

Erros nas datas e horas de contadores com tarifa bi-horária e tri-horária estão a aumentar indevidamente contas de clientes da EDP. O lucro, para a empresa, até parece negligenciável. Mas o prejuízo para os clientes não. E é difícil compreender como uma empresa que se tornou um imã de contestação, atraindo até limalhas que não lhe dizem respeito (as "rendas excessivas", por exemplo, existem em centenas de empresas além daquela de que se fala sempre), dá estas razões para ser odiada.

Em concorrência, há um aspecto central: o tratamento leal e rigoroso com os clientes. Os clientes de telecomunicações, por exemplo, só passaram a ser bem tratados depois da separação da Zon e da PT, até lá era mais barato ter filas de descontentes sem alternativa. Só que enquanto este comportamento num supermercado, num banco ou numa empresa de telemóveis leva os clientes a mudar de marca, as barreiras à transferência de fornecedor de electricidade são muito maiores. E portanto o dano é reputacional mas não existe na quota de mercado. Só que a reputação é, nas horas decisivas, tudo o que temos. E não é aceitável que uma empresa líder mundial em sustentabilidade se engane no contador… e sempre a seu favor.


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