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Com o FMI será pior. É bem capaz de ser verdade e por uma razão muito simples.

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1. Com o FMI será pior. É bem capaz de ser verdade e por uma razão muito simples. Em contrapartida por assegurarem a Portugal o financiamento de que precisa, o Fundo Europeu de Estabilização Financeira e o FMI exigem um plano de ajustamento. Enviam o dinheiro mas querem ter a certeza de que servirá para alguma coisa. A diferença está no facto de as duas instituições imporem que as correcções se façam de uma só vez, como já sucedeu no passado, em vez de se mostrarem complacentes com uma cura realizada às pinguinhas. Este foi o método escolhido pelo Governo, por mera conveniência política, e os resultados estão à vista. Depois de três programas de estabilidade e crescimento e de um quarto que acabou por ser chumbado no Parlamento, o doente não registou melhoras. Pelo contrário. Manteve-se agonizante e em vias de entrar em coma. Pior, ainda, é o facto de a revisão em alta do défice e da dívida pública de anos anteriores ter mostrado que os males são mais graves do que já pareciam. Só uma auditoria de alto a baixo nas contas públicas poderá revelar o que ainda estará escondido e ajudar a perceber quão longe terá de ir a medicamentação.

2. O PSD devia ter deixado passar o PEC IV. Talvez, mas José Sócrates escolheu outro caminho. Aprecia gerir em confronto e sente-se bem no papel de vítima, custe o que custar, mesmo que o preço a pagar seja o de colocar o País à beira da bancarrota. Negociou uma ajuda sem dar contas a ninguém, nem procurar os apoios e as cumplicidades políticas que um primeiro-ministro com sentido de Estado e noção da situação grave em que o País se encontra não hesitaria em tentar encontrar. Sabia que um pedido de ajuda seria inevitável mas não quis ficar com o ónus de ser ele a estender a mão. O fantasma do FMI é aquilo que o mantém de pé, enquanto o Estado, os bancos e as empresas se debatem com problemas crescentes de liquidez. Ainda assim, há quem defenda que a Oposição, sobretudo o PSD, devia ter dado "luz verde" ao mais recente PEC em troca do compromisso de o Governo se demitir e abrir a porta a eleições antecipadas. Pura ingenuidade. Agarrado ao poder como uma lapa, Sócrates jamais faria tal compromisso porque o seu objectivo era o de cair em condições de construir o discurso mitómano que se lhe escutou na entrevista desta semana à RTP. Além do mais, com o PEC IV aprovado, que argumento teria o Presidente da República para dissolver a Assembleia e convocar os eleitores para fazerem as suas escolhas?

3. É preciso fazer tudo para evitar a ajuda externa. Há muitos meses que Portugal devia ter pedido ajuda às instituições em que o País participa e que existem precisamente para a prestar quando se revela necessária. Não o fez, não por uma questão de orgulho nacional, o que já seria um motivo fraco para arriscar a insolvência do País, mas por uma questão ainda menor como é o orgulho pessoal que habita no descomunal ego do primeiro-ministro, apenas comparável à dimensão da sua irresponsabilidade. Para se defender e sobreviver, José Sócrates promete que fará tudo para evitar a ajuda externa. Fazer tudo significa estar a pagar empréstimos de longo prazo com financiamentos de curto prazo, e a taxas de juro elevadas, empurrando para o primeiro semestre de 2012 a necessidade de captar recursos cada vez mais abundantes. Significa, também, colocar a Segurança Social, ou seja, o dinheiro dos futuros pensionistas, a comprar dívida pública portuguesa, quando a racionalidade e o objectivo das poupanças em causa aconselhariam uma gestão feita sob critérios cautelosos. Para Sócrates, vale tudo se o que estiver em causa for salvar a própria pele.
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