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Roland Berger Consultants 11 de Outubro de 2015 às 18:45

A mudança é a única constante

O medo de ficar atrás da concorrência nunca foi tão grande. 75% das empresas no S&P 500 não estarão no índice daqui a 10 anos. Enquanto em 1920 o tempo de permanência médio neste índice era de 65 anos, hoje o valor é de apenas 10 anos.

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No PSI-20, das 20 cotadas presentes em 2013, apenas 13 se mantêm no índice. As empresas já não podem simplesmente assumir que o que as tornou bem-sucedidas no passado irá continuar a fazê-lo no futuro. Novas condições e circunstâncias podem destruir o posicionamento de mercado de forma muito rápida.

 

Gestores e líderes das empresas mundiais estão bem cientes destes desafios aos seus negócios. Conforme um estudo Roland Berger demonstra, a maioria dos gestores entrevistados afirma que a agilidade nos negócios irá moldar as suas agendas no futuro. Inovação, redesenho do modelo de negócios e execução rápida estão bem no topo da lista de prioridades.

 

Ainda assim, e apesar da maioria dos gestores não questionar a necessidade de mudança, tipicamente sentem-se mal preparados para a tarefa que se avizinha. De acordo com o estudo Roland Berger praticamente metade (48%) acredita que a sua empresa está mal preparada ou é completamente incapaz de se transformar de forma célere.

 

O processo de mudança deverá ser empreendido como forma de antecipar os desafios, mesmo quando os sinais de mercado ainda são vagos. O seu papel é tornar a empresa mais ágil, melhorar a sua performance e torná-la ou mantê-la competitiva - ou, por outras palavras, salvaguardar a sua sobrevivência. Mas nem todas as mudanças são uma transformação. Apenas quando se endereçam quatro dimensões - liderança e cultura, estratégia, estrutura, processos e sistemas - é que a mudança merece o estatuto de transformação.

 

Não são os consultores, mas os gestores e funcionários das empresas os protagonistas da transformação. É por esta razão que a liderança e a cultura são cruciais para o sucesso desta "aventura". Ainda de acordo com o estudo já citado, 51% dos inquiridos acreditam que a liderança, e consequentemente a cultura, são os factores mais críticos para o sucesso do processo transformacional. O peso das restantes dimensões - estratégia, processos e sistemas - tende a variar ao longo da jornada. Enquanto a estratégia tem um papel mais relevante no início, o enfoque rapidamente muda para as estruturas, processos e sistemas na fase de implementação.

 

Acreditamos que o processo transformacional é um programa de longo prazo, afectando praticamente toda a organização. Neste sentido, abordagens tradicionais - rígidas e em torno de um conjunto de módulos predefinidos - apresentam-se como redutoras e insuficientes. A Roland Berger defende que é essencial desenvolver uma visão abrangente, garantindo o acompanhamento de todos os intervenientes ao longo da "viagem", por maior que ela seja.

 

Tendo a consciência que 70% dos processos de transformação falham ou atingem apenas parcialmente os seus objectivos, a Roland Berger desenvolveu uma abordagem de cinco passos: consciencialização, ambição, sistematização, acção e avaliação. O primeiro passo consiste na avaliação crítica da estratégia empresarial e modelo de negócio, definindo claramente o porquê da necessidade de mudança (consciencialização). O segundo, compreende a elaboração da nova visão, definição dos objectivos estratégicos e desenvolvimento do conceito para a jornada de transformação (ambição). De seguida, é necessário detalhar o trabalho a realizar. Visão e objectivos estratégicos são traduzidos em acções de carácter operacional (sistematização). Por último, vêm o lançamento do plano em grande escala (acção) e a avaliação do alcance do processo. Nesta última fase é crucial medir a eficiência e eficácia do processo até à data, identificando oportunidades de melhoria em aberto (avaliação).

 

Reinventar uma empresa é um processo complexo e trabalhoso que requer elevada disciplina e rigor. Contudo, é a única solução para garantir a sobrevivência num mundo cada vez mais dinâmico. Esta realidade assume ainda maior relevância no contexto nacional, em que, ou as empresas se inovam e ajustam, garantindo uma vantagem competitiva clara, ou acabam por ficar fora do "jogo". Ainda assim, e apesar de a estrada ser longa e a jornada difícil, aqueles que visualizam o objectivo final e levam na bagagem as ferramentas correctas, conseguem levar a sua empresa para o próximo nível. A mudança é a única constante no mundo empresarial actual.

 

Roland Berger

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