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Roland Berger Consultants 11 de maio de 2014 às 20:57

Indústria 4.0 - A nova revolução industrial da Europa

A indústria tem um papel central na economia da União Europeia, representando 15% do valor acrescentado em termos económicos (comparando com 12% nos EUA). A actividade industrial constitui uma alavanca-chave para o desenvolvimento de investigação, inovação, produtividade, criação equilibrada de emprego e exportações.

 

O "fantasma da desindustrialização" na Europa tem levado, recentemente, os Governos Europeus e a Comissão Europeia a equacionar a necessidade de reflectir estrategicamente sobre o futuro da indústria e a definir planos de acção.

 

A actual realidade da Europa é diversa: de um lado temos a Alemanha e alguns países da Europa de Leste onde o sector industrial aumentou quota em termos de valor acrescentado e a produtividade aumentou rapidamente nos últimos anos; do outro, temos outras economias europeias, como p.e. França, Reino Unido, ou os países do Sul da Europa, que têm vindo a percorrer o caminho da desindustrialização desde 2000.

 

Será que esta realidade é sustentável? Poderá a Europa conciliar estas duas realidades, com um bloco mais industrializado e outro mais vocacionado para serviços? Na Roland Berger acredita-se que não!

 

Por essa razão, a Roland Berger tem vindo a reflectir com as Autoridades Europeias sobre o desenvolvimento de uma nova abordagem à Indústria na Europa, que permita aumentar a quota de valor acrescentado de 15% para 20% nos próximos 15 anos.

 

A Europa apresenta actualmente desequilíbrios grandes em termos de Indústria

 

No início da década de 90, 60% da actividade industrial era atribuída a seis economias - EUA, Japão, Alemanha, Itália, Reino Unido e França. Nessa altura, os países emergentes representavam apenas 21%.

 

Este gap sofreu uma profunda alteração nos últimos 20 anos com países como a China e Brasil a aumentarem o emprego no sector industrial em 39% e 23%, respectivamente. Nesse mesmo período, a Alemanha reduziu o emprego no sector industrial em 8%, enquanto a França e o Reino Unido reduziram 20% e 29%.

 

Para esta inversão de tendência contribuíram dois aspectos-chave: primeiro, o crescimento das economias emergentes (liderado pelos BRIC, assumindo a Europa de Leste também um papel relevante); segundo, poucas economias desenvolvidas mantiveram a quota do sector industrial em termos de valor acrescentado em termos económicos (a Alemanha, Itália e a Suíça foram a excepção).

 

Porque precisa a Europa de mais Indústria?

 

A realidade económica dos últimos anos tem demonstrado que a actividade industrial tem um papel core na cadeia de valor dos sectores.

 

A actividade industrial é crítica para criar uma pirâmide de emprego equilibrada. A desindustrialização tem vindo a enfraquecer a classe média, contribuindo para um mercado de trabalho polarizado entre profissões de baixo e muito alto valor acrescentado (como resultado do crescente peso dos serviços).

 

Por outro lado, as economias menos industrializadas tendem a favorecer menos o comércio internacional e a ficar mais desequilibradas em termos de balança comercial.

 

Por último, a inovação, tecnologia e processos sofisticados, tendem a ser mais potenciados em economias com uma forte actividade industrial (veja-se o caso da Alemanha).

 

No entanto, a reindustrialização da Europa - processo denominado "Indústria 4.0" - será muito mais do que voltar a localizar no espaço europeu modelos industriais que tinham sido deslocalizados, assentes em factores de competitividade como mão-de-obra barata. Mesmo a imitação dos modelos actuais de sucesso como o Alemão, Sueco ou Austríaco, não poderão constituir a solução a copiar para outros países Europeus que necessitem de aumentar a quota da Indústria. A reindustrialização desses países terá de assentar em novos fundamentos e ter em conta os factores de mudança que se perspectivam para a evolução da economia Europeia nos próximos 15 anos.

 

A nova revolução industrial na Europa está em curso, pelo que todos os países terão de promover o ajustamento das suas estratégias de desenvolvimento industrial, de modo a evitar que percam o "novo comboio" do desenvolvimento económico do espaço europeu.

 

No estudo que a Roland Berger levou a cabo sobre a actual realidade da União Europeia, Portugal é visto como um dos países que se encontram no "cluster" denominado como "hesitante". No entanto, é claro o papel fundamental que a actividade industrial deverá representar no novo modelo económico que se pretende para o nosso país. Para se ter sucesso é necessário que os vários "stakeholders" compreendam as tendências futuras e fundamentos da nova abordagem ao desenvolvimento da actividade industrial, para que tenham êxito na atracção do investimento (estrangeiro) necessário à reindustrialização da economia portuguesa. Agora que estamos finalmente a concluir mais um programa de ajustamento, é imperativo criar as condições estruturais para que tal não volte a acontecer nas próximas décadas!

 

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